
Alguns Gigantes em um Mercado de Pequenas Empresas
Enio Jorge Salu – Publicado em 23 de fevereiro de 2019

Após alguns anos tabulando informações para consultorias e para o meio acadêmico, neste ano resolvi consolidar informações e análises que a maioria das pessoas tem dificuldade em obter em um estudo, que estou chamando do Geografia Econômica da Saúde no Brasil.
Diferente das diversas fontes de dados dispersas que temos na área da saúde, e das estatísticas ou puramente financistas, ou puramente epidemiológicas, esse estudo tem como foco apenas a oportunidade de negócios na saúde suplementar, baseado no perfil de financiamento do SUS, e da base de serviços de saúde e operadoras de planos de saúde que temos no Brasil.
Embarcando na análise a população das cidades, o PIB e, às vezes, até a área física das cidades, foram desenvolvidos indicadores que auxiliam por exemplo:
· O médico decidir se abre um novo consultório na sua cidade, ou na cidade vizinha;
· Um fornecedor, de serviços ou produtos, identificar a localização mais favorável para um ponto de distribuição, ou representação;
· Uma rede de hospitais definir a localização da sua próxima unidade;
· Uma operadora de planos de saúde dar foco em ume região para incrementar suas vendas.
A visão é bem focada ... onde o SUS, proporcionalmente à população existente, despeja menos dinheiro, maior a chance de negócios para a saúde suplementar, mas, e esse mas é muito importante, esta métrica deve ser conjugada com:
Onde maior é o PIB, maior a oportunidade de negócios – você não vai querer investir onde não existe riqueza não é verdade ?
Quanto maior a distância para o necessitado chegar ao serviço existente, maior a oportunidade de negócios – pessoas saudáveis já não gostam de se locomover muito ... doente menos ainda. E qualquer deslocamento tem custo: quanto maior o deslocamento, maior o custo.
Vou me permitir aqui, ir postando blogs com algumas análises do estudo. Vou pincelar os que considero mais importantes em relação ao momento das postagens, e serão apenas alguns: a compilação do estudo é enorme – não conheço nada tão abrangente (não estou afirmando que não existe: apenas comentando que não conheço nada parecido).
Então, inauguro esta série comentando o que digo em todos os cursos que ministro: a área da saúde é especial porque, é um mercado de pequenas empresas, e, que as poucas grandes empresas são desproporcionalmente gigantes em relação às demais !
Vamos começar a justificar a afirmação com o perfil das operadoras de planos de saúde em 2018 – veja a tabela:

Vemos que apenas 1,9 % detém 42,3 % de todos os beneficiários – são gigantes – quase metade do mercado concentrado em menos de 2 % das empresas !
Mas são apenas 14 entre 754, e quase 60 % delas detém menos de 20 mil beneficiários ... 182 não têm nem 5 mil ... um jogo de futebol da série B tem mais público do que elas têm de beneficiários !!!
Em outro post vamos estratificar elas por tipo (no estudo GESB existem dezenas de dados sobre elas) ... por aqui apenas a constatação de que quem deseja vender produtos ou trabalhar em operadoras, deve saber que a maioria absoluta se trata de empresas pequenas, muito diferentes das pouquíssimas que a maioria das pessoas sabem que existe.
E com hospitais não é diferente – veja o quadro com o perfil de 2018:

Apenas 9 % deles detém 40,3 % de todos os leitos !
A maioria absoluta (65,9 %) é formada por hospitais que têm menos que 50 leitos – detém apenas 1 em cada 5 leitos do total.
Em outro post vamos estratificar separando SUS da SS (no estudo GESB existem dezenas de dados sobre eles) ... por aqui apenas a constatação de que o grande mercado que compõe os 9.283 hospitais no Brasil (poucos segmentos de mercado possuem tantas empresas de porte), embora não tão concentrado como o de operadoras de planos de saúde, também é composto de uma maioria de pequenas empresas, e uma minoria de empresas gigantes.
É interessante comentar que 548.280 leitos significam mais camas para dormir do que existem na maioria absoluta das cidades do Brasil ... são raras as cidades que possuem mais que 500 mil habitantes em relação aos mais de 5.570 municípios do Brasil.
O mercado da saúde, embora seja o maior mercado econômico do mundo, é desconhecido para a maioria absoluta das pessoas, no Brasil e no mundo. Onde tem dinheiro tem “gente esperta”, riscos, fraudes, desperdício, lucro e prejuízo, mas tem, principalmente, oportunidade de negócios.
Vou pedir licença para, nos próximos posts, continuar a comentar a saúde como tenho feito aqui no blog há tantos anos: por traz da vocação dos profissionais assistenciais em curar doenças, que é e deve ser a principal motivação de qualquer envolvido no segmento, a área da saúde é um negócio como outro qualquer, que exige profissionalização administrativa, competência comercial e gestão baseada em indicadores.