Antes, Durante e Quase Depois da Pandemia para Operadoras de Planos de Saúde
0268 – 19/04/2022
Referências: Geografia Econômica da Saúde no Brasil e Jornada da Gestão em Saúde no Brasil
Efeitos da Regulação Inadequada da Saúde Suplementar no Brasil

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático dos cursos da Jornada da Gestão em Saúde e da Escepti
O desastre de 2021 para operadoras de planos de saúde está confirmado ... agora esperar a confirmação da recuperação a partir do segundo semestre de 2022.
Já estamos chegando próximo do seminário de premiação das melhores operadoras de 2021 ( www.gesb.net.br – Geografia Econômica da Saúde no Brasil). Mesmo com o final da pandemia, mantendo em formato EAD porque a pandemia ensinou que neste formato o evento consegue chegar para um número muito maior de gestores de todo o Brasil, e está sendo uma grande honra ter confirmada a participação de gestores de mais de 80 cidades diferentes !
O gráfico da esquerda demonstra a evolução do número de operadoras que tiveram lucro operacional em 2019, 2020 e 2021:
· O lucro operacional é calculado somando as receitas de contraprestação e outras, e subtraindo as despesas assistenciais, administrativas, comerciais e outras ... informações do site da ANS, por operadora;
· O gráfico da direita “o espelho” – a evolução do número de operadoras que tiveram prejuízo operacional;
· Eles confirmam que, ao contrário de 2020 que foi o paraíso para as “fontes pagadoras”, 2021 foi “a vida na Terra” para algumas, e “o inferno” para outras !
Já no final de 2020 um post projetava este panorama de que 2021 seria difícil para as operadoras, e que a visão era a de que 2022 não seria o fim da pandemia, nem seria suficiente para fazer as coisas voltarem ao que era em 2019 ... até agora ... tudo conforme “a profecia” !!
É interessante notar que não foi 100 % “Terra ou inferno” para todas as operadoras:
· Por modalidade o comportamento foi bem diferente;
· Operadoras de algumas modalidades sofreram muito mais as consequências da pandemia do que de outras !
Notar também que os gráficos não têm a mesma escala ... quando transformamos os números em percentuais de evolução, fica bem mais fácil entender o cenário !

Este magnífico gráfico demonstra a evolução das operadoras que tiveram lucro por modalidade:
· Calculado pela relação entre as operadoras que tiveram lucro em relação ao total de operadoras da própria modalidade;
· Fica bem evidente que entre as autogestões a proporção de operadoras com dificuldade em 2021 em relação à 2020, é bem maior que nas demais modalidades;
· Nas seguradoras a relação também é grande, mas como são pouquíssimas delas, qualquer dificuldade de uma ou duas já é suficiente para desequilibrar completamente o cenário !
É interessante notar que as modalidades que não têm “tanta saudade de 2020” são as exclusivamente de odontologia ... todas as que comercializam planos de assistência médica pensam o contrário delas !

Este gráfico não nos deixa esquecer que em números absolutos temos muito maior frequência de cooperativas médicas e medicinas de grupo:
· Mas o fantástico deste gráfico é verificar que enquanto 1 para cada 2 cooperativas tiveram problemas em 2021, nas medicinas de grupo a relação foi quase de 1 para 1;
· No geral, as cooperativas médicas souberam lidar muito melhor com a pandemia do que as medicinas de grupo !
· Nas filantropias e relação também foi quase 1 para 1 ... e nas autogestões impressionantes 1 para 2 – quase o inverso das cooperativas.
Vamos entender que, na média, autogestões têm menos estruturas especializadas do que as outras para “gestão do negócio” ... na média têm carteiras de beneficiários mais velhos ... e na média restringem muito menos o acesso dos beneficiários que as outras:
· É o preço que pagam por estarem em um mercado capitalista sem ter como foco exclusivamente o lucro;
· Mesmo as filantrópicas que não têm como objetivo social o lucro, não têm o mesmo foco de dar acesso à saúde aos seus beneficiários como ocorre nas autogestões.

Para não dizer que não falamos “das flores”:
· O gráfico demonstra de forma indiscutível que a polarização político-ideológica que vivemos não prejudicou somente o enfrentamento do COVID-19 no SUS;
· Demostra que a regulação da ANS é comprovadamente inadequada;
· Tirando odontologia que é uma operação muito mais simples, e pode “driblar a insana regulação”, as demais sofrem cada vez mais para lidar com instruções normativas que encarecem a gestão dos planos, e não dão qualquer contrapartida aos beneficiários – diferente das outras agências reguladoras onde o produto entregue à população vai evoluindo e embarcando cada vez mais qualidade (telefonia, energia ...), o plano de saúde vai cada vez mais restringindo o acesso dos beneficiários aos serviços de saúde.
O gráfico, que calcula por modalidade o percentual de operadoras que obtiveram lucro em relação ao total geral de operadoras, “escancara” que somente as operadoras que comercializam planos exclusivamente odontológicos tiveram evolução entre 2019 (antes da pandemia) e 2021 (olho do furação da pandemia).
Não é possível entender como uma agencia reguladora permitiu este cenário de “terra arrasada” para tantas operadoras, de todas as modalidades ...

... me desculpe ... ato falho ... dá para entender sim como a ANS deixa tantas operadoras chegarem a este ponto de agonia:
· Voce entra no site e vê destaque para anúncio de vaga de estágio para comunicação social propaganda e marketing ... isso é muito importante para os beneficiários de planos de saúde e para as operadoras de planos de saúde, não é verdade ?
· Vê destaque para um relatório de gestão que se “vangloria” de ter reduzido o tempo de resposta das manifestações ... não de ter reduzido os problemas dos beneficiários de planos de saúde para não terem que se manifestar ... é irônico: estamos melhorando nosso sistema para dar agilidade a um número cada vez exponencialmente maior de reclamações !
· Vê destaque para a insistência da ANS em atuar em área que não é do seu escopo: qualidade hospitalar;
· Vamos lembrar que na CPI da COVID, quando um senador questionou porque a ANS não fiscalizou hospitais “daquela operadora” que supostamente fraldou diagnósticos, o representante da ANS disse que não era da alçada da ANS ... para se proteger na COVID hospital não é da sua área de abrangência, mas para fazer política e inserir custo no sistema em certificações de qualidade a narrativa é diferente ... sem contar que ela ignora ONA, JC ... e quer que hospitais “engulam” a certificação dela que não traz resultado operacional nenhum para hospitais !!!
Enquanto isso ... voltando à realidade ... vamos torcer para que os gestores das operadoras estejam bem-preparados para este 2022 que não será fácil ... melhor que 2021 sim ... mas ainda muito difícil, especialmente por ser um ano de intensa “política ideológica” !
Operadoras e serviços de saúde, particularmente hospitais, em relação à regulação da ANS estão no mesmo barco:
· Alguns se juntam, abrem os braços e “vão sentir o vento bater na cara lá na proa” ... pensando que existe bote salva-vidas para todos se o navio naufragar;
· E algumas percebem que estão no barco com um tigre, um orangotango, uma zebra e uma hiena ... se é que me entendem ... e não querem que 2023 volte a ser o que era 2019 ... trabalham para que em 2023 estejam em um cenário de sustentabilidade melhor, “apesar da ANS” !
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Conheça o estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil, e os seminários temáticos www.gesb.net.br !
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Informações adicionais sobre cursos e consultoria em gestão na área da saúde contato@escepti.com.br !
Sobre o autor Enio Jorge Salu
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
· Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed
Histórico Profissional
· CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor/Fundação Zerbini, e Superintendente da Furukawa
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Própria
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado