O mercado da saúde das instituições sem fins lucrativos
0414 – 08/04/2025
Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, Geografia Econômica da Saúde no Brasil e Jornada da Gestão em Saúde no Brasil
A saúde suplementar desenha diversos mercados, todos importantes e interdependentes !

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, dos cursos da Jornada da Gestão em Saúde e da Escepti
Ontem tive a honra de apresentar o Complexo HC de São Paulo no 21º Congresso Anual da SPA Saúde e Pouso Alegre – MG, e antes de mais nada agradecer ao Luiz Fernando Ribeiro, Ricardo de Oliveira Garcia e Marcelo Marques pelo convite ... a Ana Miria pela acolhida ... ... e a Adriana do meu time que se relaciona com os clientes da base, que alinhou a participação neste encontro com eles ... muito obrigado !
Estamos em um momento dos mais que emblemático na saúde suplementar, que divide instituições de saúde em grupos distintos de relacionamento, para manterem a sustentabilidade financeira.
Uma das divisões muito claras é bem evidente e sentida na rotina de relacionamento entre operadoras e serviços de saúde ... é a que divide as operadoras assim:
· As que têm fins lucrativos ... como demonstra o gráfico a maioria absoluta;
· As que não tem fins lucrativos ... a minoria.
É bom iniciar ressaltando que estar na área da saúde tendo fins lucrativos não é nada ilegal, imoral ou antiético.
Vamos lembrar que a nossa constituição define saúde como dever (obrigação) do Estado, e que saúde, ao contrário da maioria dos outros serviços públicos, é livre a iniciativa privada !
· Não há que se criminalizar a existência de operadoras no mercado que visam lucro ...
· ... muito pelo contrário, elas embarcam a maioria dos mais de 50 milhões de brasileiros que têm o privilégio de possuir um plano de saúde que lhes permitem ter acesso à saúde privada ... que se não tivessem o plano, a maioria deles não teria acesso à saúde privada
Isso posto ...

As despesas assistenciais das operadoras crescem em um ritmo frenético desenhando cenários muito diferentes para as operadoras de planos de saúde.
Se considerarmos apenas as autogestões:
O gráfico demonstra que a escalada do ticket médio assistencial geral (de todas as operadoras do tipo autogestão) ... o que é gasto por elas para prestar assistência médica aos seus beneficiários ... representado pela linha azul ...
... vai “encostando” cada vez mais perto do ticket médio da receita de contraprestação (o dinheiro que elas captam dos clientes)
Isso torna a gestão cada vez mais desafiadora.
É desafiadora para entidades sem fins lucrativos porque a essência da existência delas não é aumentar o preço para manter a margem de lucro ... é prestar assistência médica com o melhor custo x benefício possível para os seus beneficiários, que no fundo são os próprios donos da operadora.
É bom ressaltar também, que estes anos todos de atuação no segmento ... não são poucos ... me permite afirmar categoricamente que tanto as operadoras com fins lucrativos, como as operadoras como a SPA Saúde, naturalmente querem entregar aos seus beneficiários um produto da maior qualidade e abrangência ... não tenha dúvida disso ... Deus é testemunha do quanto faço esta afirmação com convicção !
É claro que existem operadoras que “vendem vapor, entregando para beneficiários algo “parecido” com o que esperamos que seja um plano de saúde ... denegrindo o mercado ... mas a maioria absoluta, definitivamente não faz isso !
Mas as operadoras que não têm fins lucrativos são as que, em média, retém por mais tempo os beneficiários na carteira de clientes, por uma série de razões que vale a pena comentar em um texto específico ... são várias razões.
Operadoras sem fins lucrativos como a SPA por terem o beneficiário mais tempo sob sua gestão:
· Naturalmente se preocupam mais que as outras com o longo prazo, ou seja, com a qualidade de vida e a saúde do beneficiário no longo prazo, do que as com fins lucrativos em que a média de permanência no plano é curta;
· É fácil entender isso se colocando no lugar das operadoras com fins lucrativos: por que eu priorizaria a saúde do meu cliente no longo prazo, se ele é meu cliente no curto prazo apenas ? ... cujo custo que me pressiona é o do curto prazo apenas !
· Naturalmente então, as operadoras sem fins lucrativos priorizam mais o credenciamento de serviços de saude que entregam assistência com melhor qualidade ... que naturalmente tem melhor desfecho ... porque naturalmente isso já reduz o custo no curto prazo e/ou sempre reduz o custo do paciente no médio e longo prazo.

Por isso agradeço ter participado do evento de uma operadora como a SPA que não tem como objetivo social o lucro, para apresentar uma instituição de reputação ilibada, que entrega excelência de qualidade assistencial, e que também não tem o lucro como objetivo social, como é o Complexo HCFMUSP ... foi uma grande honra !
· Neste momento de vida em que poderia estar empenhando meu tempo com meus netinhos, é um grande privilégio participar de um movimento de aproximação de duas instituições que não tem como objetivo primário captar dinheiro para distribuir aos seus acionistas ... instituições que têm como dono o próprio beneficiário ... a própria população.
· Uma operadora que na aproximação com este parceiro vai conter a sinistralidade da média e alta complexidade maximizando a qualidade assistencial que provê aos seus beneficiários ...
· ... e um serviço de saúde que capta um pouco de recurso na saúde suplementar ... muito pouco em relação ao seu orçamento, é bom que se diga ... para auxiliar no orçamento necessário para atender pacientes do SUS ... melhorar o atendimento já 5 estrelas que presta à população através do SUS
Participar desta aproximação é um privilégio para poucos ... uma aproximação que, no fundo, melhora o acesso à saúde dos beneficiários da operadora, e ao mesmo tempo melhora o acesso da população ao SUS !
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Sobre o autor Enio Jorge Salu
CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
· Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed
Histórico Profissional
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor/Fundação Zerbini, e Superintendente da Furukawa
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado