Boletim    noticia.net.br Conteúdo para Gestores da Área da Saúde
 

 

 


APS e Terapia ABA - Temas “Sui Generis” da Gestão da Saúde

0456 – 24/02/2026

Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

A grande semelhança e a enorme diferença entre a APS e ABA na questão “rentabilidade para quem ?”

 

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

 

Olhando a figura nós temos uma certeza:

·         A infraestrutura necessária para uma clínica de APS – Atenção Primária à Saúde, a superior, ou a de uma clínica para Terapia ABA, a inferior, têm custos “ridículos” quando comparados com os custos das estruturas de realização de procedimentos de média e alta complexidades, seja na saúde pública, seja na privada;

·         Vamos combinar ? ... calcular os custos delas ... calcular os custos por procedimento para elas ... é tarefa das mais fáceis quando lembramos da infinidade de outros procedimentos, unidades de negócios, e serviços de saúde que existem !

As questões que diferenciam estes 2 tipos de serviços da maioria absoluta dos demais que existem na área da saúde.

APS não tem receita direta:

·         Não fazemos um cálculo do quanto “entra de dinheiro e quanto sai de dinheiro” em uma Unidade APS para saber se ela é rentável;

·          Ela é rentável ... e muito !! ... sem a entrada de receita obtida de fontes pagadoras diretamente para ela !

·         Ela é rentável na essência quando avaliamos a existência dela no controle da sinistralidade ... de uma operadora de planos de saúde ... ou do SUS !

Já ABA individualmente ...

·         ... por indivíduo que paga pelo plano de saúde e utiliza (tem necessidade) o tratamento ...

·         ... pelo que um único beneficiário paga e usa ... não tem como ser um produto lucrativo para a fonte pagadora

·         Sob o ponto de vista de financiamento, avaliando cada um dos indivíduos que utilizam, dá prejuízo;

·         Um desequilíbrio que tem que ser compensado pelos beneficiários que pagam o plano e não fazem uso desse serviço ... que provavelmente nunca utilizarão este serviço;

·         Mas para o serviço de saúde que realiza o procedimento, é rentável “por indivíduo” que dela necessita !!!

Os temas estão tanto na agenda do SUS, das Operadoras de Planos de Saúde, dos Serviços de Saúde e dos Profissionais da Saúde envolvidos que hoje dei um curso em que estiveram inscritos mais de 200 profissionais de operadoras, hospitais, serviços de APS, de Terapia ABA, de Órgãos Gestores do SUS ... de mais de 40 cidades do Brasil !

Sempre agradeço a Deus estas oportunidades porque sei que, durante e após o curso, existe interação com muitos dos participantes para discutir conceitos, tirar dúvidas, prestar consultorias ... e a cada interação vou aprendendo mais sobre o tema. Ainda não tenho conhecimento sobre a existência de um curso com foco e conteúdo similar a este, e vale a pena contribuir com quem tiver interesse mencionando alguns tópicos que foram discutidos.

São temas sensíveis para o financiamento da saúde privada e pública, e quanto mais gestores tivermos com discernimento sobre o assunto, melhor para todos nós ... afinal ... somos nós que financiamos tanto a saúde privada pagando pelo nosso plano de saúde ou pagando diretamente o serviço ... como na saúde privada através do que pagamos de impostos ... não é verdade ?

 

 

Tem muito pouca gente fazendo APS de verdade no Brasil:

·         Tem “muito discurso de muita gente” que diz que faz ...

·         ... mas na prática não é verdade !

APS parte do estudo da epidemiologia de uma carteira de beneficiários (SUS ou Saúde Suplementar) ... de uma “população”:

·         Nesta população, definimos “uma amostra” que tem propensão a determinado tipo de doença;

·         E desenvolvemos ações preventivas ... educativas ... profiláticas ... que vão mitigar a frequência e/ou a dimensão que a doença pode atingir ... que vão mitigar o custo da assistência dessas pessoas nos médio e longo prazos;

·         Para isso existe um plano de cuidados ... um protocolo de cuidados ... “um Plano APS” ... que uma unidade assistencial segue, avalia o progresso através de indicadores que sinalizam a necessidade de eventuais ajustes no programa e/ou nos casos específicos de pacientes ...

·         ... enfim, que através de ações de “baixo custo e complexidade” reduzem a frequência, a gravidade, e consequentemente o custo, de procedimentos de média e alta complexidades.

Tem muita gente que tem uma unidade ambulatorial que “diz que” se dispõe a fazer isso:

·         Mas na verdade é apenas uma Unidade de Atenção Básica, que é criada para direcionar pacientes para serem atendidos nela nos procedimentos de menor complexidade;

·         Ou para evitar que eles ocupem a agenda em serviços de maior complexidade prejudicando a dinâmica dos atendimentos de maior gravidade;

·         Ou para reduzir o custo, direcionando para serviços que oferecem estes serviços com custo menor, que podem ser de rede própria ou credenciados ... na verdade esta geralmente é a motivação da existência desta Unidade de Atenção Básica, que geralmente é um serviço da própria fonte pagadora (rede própria do SUS ou da operadora de planos de saúde);

·         Nelas não existe um plano de cuidados planejado e contínuo para o paciente ... apenas o atendimento do paciente em um serviço onde o custo para realização daquele procedimento é menor !

Uma UAB – Unidade de Atenção Básica reduz o custo de procedimentos no curto ... curtíssimo ... prazo.

Já uma Unidade APS:

·         Reduz a sinistralidade da carteira de beneficiários nos médio e longo prazos ... reduz o custo global do sistema de financiamento, seja público, seja privado !

·         Melhora a qualidade de vida dos beneficiários que naturalmente terão menor frequência de sintomas e agravamento nas doenças que têm propensão a obterem;

·         Reduz a complexidade dos procedimentos de média e alta complexidades através do diagnóstico precoce, incentivo à mudança de hábitos ...

UAB e APS são coisas completamente diferentes:

·         Temos “milhares e milhares” de UAB’s no Brasil ... no SUS e na Saúde Suplementar;

·         Temos pouquíssimas APS’s no Brasil ... a maioria em operadoras de planos de saúde do tipo autogestão ... até existem em outras modalidades de operadoras, mas especialmente as que vendem planos individuais !

·         Unidades que praticam realmente a essência de APS, que é planejar, incentivar o indivíduo a se engajar ... acompanhar o ciclo de cuidados ... são muito poucas ... infelizmente !!

 

 

Terapia ABA se diferencia de quase 100 % de tudo que se faz na medicina:

·         Um indivíduo diagnosticado por TDAH ... cuja conduta define Terapia ABA com carga de 40 horas semanais ...

·         ... em quase 100 % dos casos paga pelo plano de saúde um valor muito inferior ao custo da terapia !

É comum que pessoas se submetam a procedimentos que custam mais do que a mensalidade do plano:

·         Mas são procedimentos de baixa frequência;

·         Uma mulher não vai realizar parto mais de 1 vez por ano ... é bem provável que o que ela paga pelo plano de saúde por 1 ano seja suficiente para cobrir os custos do parto;

·         Mesmo que não for, quase 100 % delas não terão 1 filho por ano durante todos os anos que for beneficiária do plano de saúde, não é verdade ?

·         O que ela vai pagar ao longo da sua vida pelo plano é bem menos do que ela vai gastar com os seus partos ... se é que ela vai necessitar de parto ... afinal temos cada vez mais mulheres que não têm filhos ... e bom lembrar !

·         Mas no caso de ABA, o custo mensal da terapia é sempre maior do que se paga pelo plano por anos ... e anos ... e anos seguidos !!

ABA é um dos raros procedimentos que a lógica do sistema de financiamento da saúde não colocou o procedimento no plano original de sustentabilidade:

·         Os custos de cada procedimento da terapia são baixos comparados aos de maior complexidade;

·         Mas ao longo do tempo, por indivíduo, são “gigantemente” maiores;

·         E os sistemas de financiamento da saúde, e principalmente o SUS, foram “desenhados” para suprir a necessidade de realização de procedimentos de média e alta complexidades;

·         Até estão adaptados para cobrir a baixa complexidade, mas de forma meramente adaptativa, não efetivamente resolutiva como deveria ser.

 

 

Com foco nestes procedimentos “sui generis” em relação a gestão geral da saúde, desenvolvemos esta turma deste curso:

·         Discutimos como dimensionar os serviços ... quantos médicos, quantos enfermeiros, quantos terapeutas ... necessitamos por mil beneficiários;

·         Citamos a infraestrutura básica de cada um dos serviços ... consultório, salas de procedimentos, de terapias, de enfermagem, de espera ...

·         E montamos a matriz gerencial de custos básica.

Ela nos permite calcular de forma simples e rápida os custos de cada unidade de negócios:

·         Discutimos a necessidade de avaliar Terapia ABA como unidade de negócio única ... ou Terapia ABA Leve, Moderada e Intensiva como unidades de negócios separadas;

·         Discutimos a necessidade de avaliar APS como unidade de negócios única ... ou APS de diabetes, de hipertensão, de saúde da mulher, de saúde do homem ... como unidades de negócios separadas.

Sempre sendo levados a pensar se vale ... quando vale ... a pena analisar como uma unidade única ou “quebradinha” dependendo do modelo de negócios ... em função do cenário que a “geografia econômica da saúde específica” desenha para o estabelecimento de saúde ... para a mantenedora do estabelecimento de saúde !

 

 

E foi muito recompensante ter a oportunidade de colocar em discussão que:

·         Os métodos de apuração de custos das unidades de negócios e do custo médio por procedimento tanto para APS como para ABA ... os métodos ... são os mesmos;

·         Mas a apuração da rentabilidade de uma ou de outra, muda ...

·         ... porque uma (ABA) tem receita direta ... eventualmente indireta, mas específica para ela por ser uma unidade verticalizada no contexto de uma operadora de planos de saúde ...

·         ... enquanto a outra (APS) não tem receita direta – a “receita” da unidade é o que ela economiza em procedimentos de média e alta complexidades para a fonte pagadora !

E para “incrementar” ainda mais o tema:

·         Lembrar que os serviços de saúde que realizam terapia ABA e/ou APS não têm nada a ver com a discussão da gestão da sinistralidade do sistema de financiamento;

·         Os serviços de saúde realizam terapias ABA são remunerados pelo que produzem – pelos procedimentos que realizam;

·         E isso vale tanto para a saúde privada como para a saúde pública.

Para “brindar” a discussão ilustramos com um caso em que um mesmo estabelecimento tem uma Unidade APS, uma de Terapia ABA, um Pronto Socorro e um Ambulatório;

·         Calculando a rentabilidade e custo médio por procedimento em cada uma das unidades;

·         APS sem receita direta própria, e as demais com receita própria.

É tão bom ter tido a oportunidade de “aprender” estas coisas em projetos de consultoria ao longo dos anos ... poder ter o grande prazer de discutir com centenas de gestores de instituições privadas, públicas, fundacionais ... uma grande honra !

Porque, lembrando sempre, quanto mais gestores de saúde capacitados tivermos ... que atuem com discernimento sem radicalizar o discurso “do nós contra eles” de fontes pagadoras contra serviços de saúde, e vice-versa ... vamos propiciando maior acesso da população aos recursos da área da saúde ... pública e privada !!

Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde  para gestores da saúde privada e pública     www.cpgs.net.br

Conteúdo especializado para gestores da área da saúde privada e pública  www.noticia.net.br

Geografia Econômica da Saúde no Brasil, e seminários temáticos  www.gesb.net.br

Consultoria especializada para hospitais e operadoras de planos de saúde  contato@escepti.com.br

 

Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed

Histórico Profissional

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor/Fundação Zerbini, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado