A fantástica fábrica de empregos chamada saúde
0458 – 11/03/2026
Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil
Nenhum segmento gera tantos bons empregos e com tanta diversidade quanto a área da saúde
(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti
Ontem encerrei mais uma “trilogia” de aulas para turma de pós-graduação do Einstein, que sempre agradeço a oportunidade para as Profas. Coordenadoras Glauce e Deise ... muito obrigado ! ... uma aula sobre mercado da saúde, outra sobre riscos e fraudes, e a última sobre planejamento estratégico.
É muito legal poder falar sobre planejamento tendo a oportunidade, antes, de falar sobre o mercado da saúde, e os riscos e fraudes mais frequentes que as áreas da saúde privada e pública estão expostas ... um privilégio poder passar a experiência de que planejar sem ter noção do que é o mercado e sem entender os riscos é “pura perda de tempo” !
E o mercado da saúde não é para amadores ... para ilustrar o quanto é grande este mercado, vou aproveitar que estamos em fase de tabulação da versão 2026 do estudo Geografia Econômica do Brasil e citar postos de trabalho ... empregos.
“Batemos” quase 6 milhões e meio de postos de trabalho na área da saúde ... e considerando somente o que temos no CNES:
· Vamos lembrar que o CNES só abrange os postos de trabalho dos serviços de saúde ...
· ... e que temos “uma infinidade” de postos de trabalho na área da saúde fora dos estabelecimentos de saúde;
· Indústria, distribuidores, representantes, empresas especializadas em serviços que são consumidos na área da saúde (lavanderia, esterilização, nutrição ...), empresas da área da educação que lidam somente com cursos da área da saúde ... “e por aí vai” ... e “vai longe” ... muito longe !
Quantos mais, além dos 6 milhões e meio de postos de trabalho do CNES, é difícil estimar ... muito difícil ... só Deus sabe !!
Considerando “somente” esses 6,5 milhões:
· Três quartos “da pizza” ficam no SUS !
· Mera coincidência quando comparamos com a quantidade de beneficiários do SUS (~200 milhões) e da saúde suplementar regulada pela ANS (~50 milhões);
· Porque uma boa parte desses postos de trabalho da saúde suplementar do gráfico não tem nada a ver com operadoras de planos de saúde ... não tem nada a ver com a saúde suplementar regulada pela ANS;
· O consultório médico, ou odontológico, que atende somente pacientes particulares está aí também ! ... e eles não têm nada a ver com a ANS.

O segmento que passou por uma crise “sem precedentes” entre 2019 e 2025 ...
· ... fala sério ... algum segmento poderia ser tão afetado pela pandemia do que a saúde ? ...
· ... este segmento cresceu “assustadoramente” no período quando falamos de postos de trabalho ... empregos;
· No SUS, a Unidade Federativa que cresceu menos, teve um crescimento de 33,3 %. A população teve crescimento “quase zero” e o SUS que “vive em função” da distribuição de recursos per capita, cresceu 33,3 % em postos de trabalho ... é o nosso SUS mostrando a sua resiliência frente ao maior desafio que os sistemas públicos de saúde enfrentaram na história da humanidade ! Com “muita gente jogando contra ele” ... lembra ?
· Na saúde suplementar, que tanta gente inadvertidamente diz que está em crise, a UF de menor crescimento teve aumento de 42,3 %, e a UF de maior crescimento experimentou nada menos que 143,3 % de crescimento em postos de trabalho !
Vamos lembrar: a saúde suplementar está praticamente estagnada em volume de beneficiários há muito tempo ... mas os postos de trabalho ... de pessoas que em sua maioria existem para prestar assistência aos beneficiários ... mais que duplicou de tamanho em “míseros” 6 anos !!! ... crise ?????? ... então, salve a crise !!!

As pessoas que não conhecem ... não trabalham no segmento ... pensam que quando falamos em postos de trabalho na área da saúde estamos falando somente de médicos, enfermeiros, e mais uma meia dúzia de profissões da área assistencial:
· Um erro crasso !
· Os gráficos demonstram que existe uma enormidade de profissões que estão “na veia” na área da saúde, e não são profissões “nativas” do segmento;
· Conforme demonstra o gráfico “de cima”, proporcionalmente mais no SUS ... porque no SUS a gente tem que dispor até de “piloto de embarcação” para levar equipes de saúde indígena “nos confins” da Amazônia;
· Na saúde suplementar, nenhuma atividade “não lucrativa” prospera ... afinal, é a iniciativa privada atuando “por que quer e onde dá dinheiro” e não a área pública que tem obrigação constitucional de prover saúde. Então, não vale muito a pena para a saúde suplementar ter piloto de embarcação vinculado aos seus serviços de saúde ... é claro que não !
No SUS temos aproximadamente um terço dos postos de trabalho para profissionais que não são da área assistencial. Na saúde suplementar, mesmo que não se obrigue às “obrigações sociais” do SUS, temos aproximadamente um quarto dos postos de trabalho ocupados por profissionais que não são da área assistencial.
É, quase que com certeza, o segmento mais “democrático” na geração de empregos que existe, se é que me entende !

Quem não é do segmento pode achar que no SUS temos apenas “funcionários públicos concursados”:
· Outro erro não menos crasso !
· O gráfico demonstra a variedade de vínculos de trabalho que existe no SUS;
· Entre pessoas jurídicas, pessoas físicas autônomas e celetistas ... sim celetistas ... temos perto de 1 milhão de postos de trabalho no SUS !!!
· E ... de novo ... sem contar profissionais que atuam empresas que existem para fornecer insumos e serviços exclusivamente para a saúde pública, que ... de novo ... são legiões de profissionais que não estão “tabulados” aí !

Sinto muito orgulho de atuar no segmento da saúde:
· Embora “meus postos de trabalho” do momento não estejam tabulados neste gráfico de quem atua na saúde suplementar ... meus postos de trabalho não estão no CNES ... sou “uma pessoa jurídica” que atua tanto na saúde suplementar como no SUS e que não aparece no CNES;
· Pode chamar a atenção de quem vê este gráfico sobre postos de trabalho na saúde suplementar, e não é do segmento, a relação entre pessoa jurídica e pessoa física, muito próximas uma barra da outra;
· Para quem atua no segmento ... surpresa nenhuma !
A saúde suplementar é um campo de trabalho enorme para empreendedores:
· Tive a oportunidade de atuar no segmento como celetista, pessoa física, pessoa jurídica, bolsista pesquisador, autônomo ... atuei simultaneamente como celetista, e PJ, e “pesquisador” !!!
· Qual a melhor forma de vínculo ? ... qual o vínculo preferido ? ... acredite: nenhum ! ... o segmento oferece estas “nuances” de vínculo para se viabilizar, e todas têm vantagens e desvantagens ... acredite !
A única coisa que me deixa chateado ... de verdade ... é que o governo ...
· ... não falo deste governo que está aí ... falo historicamente todos, desde que “me dou por gente” ...
· Não falo somente o de âmbito federal ... também o distrital, os 26 estaduais, e os mais de 4.500 municipais ...
· Não somente o poder executivo ... todos os poderes constituídos ...
· ... todos eles ... não conseguem enxergar a saúde como fator de desenvolvimento social, de geração de renda, de desenvolvimento pessoal ... de riqueza.
Infelizmente todos enxergam a saúde como uma obrigação constitucional !
Países que “pensam” a saúde diferente de nós, “nadam de braçada” em cima da gente:
· Enquanto aqui no Brasil saúde está na lista dos maiores gastos ... das despesas ... do incômodo para os políticos ...
· ... em países como EUA, Suíça, Japão, Alemanha ... na maioria absoluta das maiores economias do mundo ... saúde é produto de exportação e geração de riqueza;
· Produtos que a gente compra deles aqui no Brasil ... “e paga muito caro” diga-se de passagem.
A chateação é maior ainda quando a gente conhece “coisa que é feita por nós” ... “inventada por pós” ... e que pagamos royalties para outros país ... “é o fim da picada” como diziam meus pais !

Para “sacramentar a prosa”, gostaria de ilustrar e diversidade de geração de empregos da área da saúde com estes gráficos:
· Eles demonstram a evolução dos postos de trabalho de advogados na área da saúde;
· A maioria das empresas necessitam de advogados, mas as empresas não se obrigam a “abrir” uma vaga de advogado, e “terceirizam” sua necessidade com um escritório de advocacia ... não é verdade ?
· E uma infinidade de advogados atuam em empresas, não com o registro de nome de profissão ou cargo de “advogado” ... as vezes gestor de contratos, as vezes assessor de projetos, as vezes outras inúmeras “nomenclaturas de cargos” que não explicitam que o profissional “é diplomado em direito”;
· Os gráficos demonstram somente quem tem o cargo enquadrado como advogado ... ou seja ... uma “minoria” dos advogados que atuam nas empresas de saúde.
Esta minoria cresceu tanto no SUS como na saúde suplementar quase 3 vezes ... em apenas 6 anos !
Uma profissão que não é da área da saúde, e que fica fácil entender que, para cada um que está “registrado” na área da saúde e está no CNES, tem mais que um ... bem mais que um ... que não está nesta tabulação !
Saúde é um segmento da economia expressivamente robusto ... ninguém pode duvidar disso !!
Dar aula de planejamento em turma de pós-graduação sem levar isso em consideração teria sido leviandade da minha parte ... poder passar isso para quem ainda não se atentou para isso: um grande prazer !!
Bem ... mesmo que o governo talvez não queira ver ... pelo menos ... se considerarmos que para cada posto direto de trabalho na saúde temos apenas 1 posto adicional indireto ... e é muito mais do que isso ... temos que comemorar que a nossa área da saúde emprega, no mínimo, umas 12 milhões de pessoas ... sendo “muito tímido” na estimativa, algo em torno de 5 % da população brasileira trabalha na área da saúde !
É uma “fantástica fábrica de empregos” ... de empregos de qualidade ... um segmento de mercado que emprega prioritariamente profissionais com nível superior completo ... que recebem bons salários ... é bom ressaltar.
Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde para gestores da saúde privada e pública www.cpgs.net.br
Conteúdo especializado para gestores da área da saúde privada e pública www.noticia.net.br
Geografia Econômica da Saúde no Brasil, e seminários temáticos www.gesb.net.br
Consultoria especializada para hospitais e operadoras de planos de saúde contato@escepti.com.br
Sobre o autor Enio Jorge Salu
CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
· Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP
Histórico Profissional
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado