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Na prática o Biomédico é uma empresa prestadora de serviços para o mercado

0460 – 22/03/2026

Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Prioritariamente Biomedicina é uma profissão para empreendedores

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

Ontem tive novamente a honra de dar uma aula na FGV a convite do Prof. Walter Cintra Ferreira Jr., que já cansei de agradecer quanta oportunidade me deu durante anos e anos da minha vida profissional ... mas não custa agradecer mais uma vez ... muito obrigado !

A aula foi sobre a gestão do ciclo de vida dos contratos, tema que me acompanha profissionalmente ... e “academicamente” ... há muito tempo. Como parte do conteúdo sempre acaba remetendo ao pensamento sobre contratos de “terceirização de mão-de-obra” achei por bem comentar sobre uma profissão que tem sido envolvida nesta questão “não é de hoje” !

Quanta coisa a gente escuta sobre biomédicos ! ... algumas coisas muito importantes e interessantes, mas infelizmente, “quanta bobagem” de algumas pessoas que não conhecem ... não entendem ... o papel do biomédico na área da saúde !

Temos mais de 30.000 postos de trabalho em biomedicina no Brasil:

·         Somente isso já é mais que suficiente para dar ideia do que representa a categoria;

·         E, quem atua em gestão da saúde, sabe que a quantidade de profissionais é pequena;

·         A saúde demanda, em diversos cenários bem críticos, a atuação de biomédicos com capacitação adequada, cuja especialização varia dependendo de cenários que o tipo de demanda cria.

Em um país onde o empreendedorismo não é incentivado ... onde é “impregnado” na mente dos jovens que “carteira assinada” é o que define o sucesso profissional e pessoal do indivíduo ... o mercado de trabalho dos biomédicos muitas vezes acaba desincentivando o jovem a escolher a carreira:

·         O gráfico demonstra bem isso;

·         Com os dados de 2025 temos quase 2 terços dos postos de trabalho associados a vínculos de pessoas jurídicas e/ou de contratos de trabalho com profissionais autônomos;

·         Atuar profissionalmente ... trabalhar ... como biomédico no Brasil está associado ao vínculo “PJ” ... ao empreendedorismo.

É estranho que hoje parte dos jovens tenham este paradigma negativo sobre empreendedorismo:

·         Eu sim sou de uma época em que a juventude tinha “carteira assinada” como “mantra de sucesso na vida” ... como obrigação profissional a ser cumprida;

·         Meu pai, por exemplo, trabalhou 35 anos na mesma empresa e se aposentou ... isso era o “modelo de padrão profissional” na minha época de adolescência e de “debutante” profissional;

·         Em uma música bem conhecida do “Raulzito” da época ele se debatia com o desânimo de quem “deveria estar contente em ganhar x por mês e ter um Corcel 73” ... era só isso que importava para as pessoas que se vangloriavam em “ir comer um frango com polenta” ... e a maioria das pessoas que estão lendo não vão entender a “menção ao frango com polenta”;

·         Quando troquei meu primeiro emprego, menos de um ano após minha admissão, foi “um choque” para meu pai que havia me dado como “presente de 14 anos de idade” a carteira de trabalho ! ... era o paradigma da época ! Imagino se ele tivesse vivido para saber que eu atuei profissionalmente em mais de 200 empresas !! ... hoje, “lá do céu”, tenho certeza que ele acabou aprovando;

·         As pessoas se orgulhavam em dizer que trabalharam décadas na mesma empresa, e isso era “pedigree no currículo”, se é que me entende.

Já há algumas décadas “o mundo mudou”:

·         As pessoas não desenvolvem mais vínculos eternos com a empresa que trabalha;

·         As próprias empresas “não duram mais” como duravam antes ... a maioria delas acaba passando por processos de fusão, aquisição, ou transformação radical nas atividades, exigindo troca de funções, cargos e de pessoas ... uma boa parte “é abduzida pelas mudanças do mercado”;

·         A não ser empresas públicas, ou “enraizadas” na área pública ... elas não nutrem mais vínculo eterno com os colaboradores ...  muito pelo contrário ... o colaborador antigo é mais um “passivo trabalhista” do que um parceiro.

As mudanças em geral, em função de coisas que nem existiam no passado como a preocupação com a sustentabilidade global, inclusão social, diversidade ... exigem que as empresas, e as pessoas, se obriguem a buscar caminhos diferentes para entender as mudanças necessárias no ambiente de trabalho, e isso passa por trocar de empresa, para estarem atualizadas com “este novo mundo”, que não é “visível” dentro das 4 paredes da empresa em que trabalha.

E as próprias empresas passaram a “retirar do pedigree” dos processos de seleção o elevado tempo de permanência em um emprego ... para algumas delas, além de não fazer mais parte do “checklist de aspectos positivos” do selecionador, passou a fazer parte do checklist de aspectos negativos.

Da maioria absoluta das profissões com presença marcante no segmento da saúde, o biomédico talvez tenha sido o primeiro que tenha sido forçado a se adaptar a esta nova realidade ... que de nova, vamos combinar, não tem nada ... já podemos dizer “velha realidade”.

 

 

Se isolamos apenas os postos de trabalho na saúde suplementar, vemos que a parcela de “celetistas” é muito pequena em relação ao total.

É pouca a chance de uma empresa privada necessitar de um biomédico em uma rotina que seja necessário “bater o ponto”:

·         A atividade do biomédico é analítica ... não é “de apertar um parafuso em uma linha de produção”;

·         Quando ele é colocado em uma linha de produção é um desperdício ... de recurso para quem projetou a linha de produção ... e de intelecto e potencial para o biomédico, que “não estudou para imitar Chaplin em Tempos Modernos”;

·         Fazer com que ele “bata o cartão x horas por dia” em atividades e rotina é desperdiçar a maior parte do seu intelecto.

Por isso os vínculos são “tão predominantemente PJ” como demonstra o gráfico !

 

 

Mesmo no SUS, onde existe certa predominância de cargos públicos em que “o ponto de entrada e saída do expediente” é a base do relacionamento entre a instituição e o colaborador, o cenário para o biomédico mantém o protagonismo dos vínculos relacionados ao empreendedorismo:

·         Vínculos PJ permanentes e temporários são muito mais que a metade ! ... mesmo no SUS !!

·         E é interessante notar que, diferente do gráfico anterior, “atividade voluntária” faz parte do cenário;

·         Este profissional “importante”, é “muito importante” para instituições que atendem pacientes gratuitamente ... fundações de apoio, ONGs, e outras ... em que o diagnóstico faz parte da rotina dessa assistência social fundamental para uma parcela “extremamente carente” de acesso aos recursos da saúde no Brasil.

 

 

A carência desse profissional pode ser exemplificada por estes “gráficos de calor”:

·         O de cima, demonstra a distribuição dos profissionais “per capita SUS”;

·         O de baixo, a distribuição “per beneficiário de planos de saúde”.

A variação de disponibilidade entre as unidades federativas é enorme:

·         Mais de dez vezes no SUS entre a que dispõe da menor e a maior oferta de profissionais para a população;

·         E impressionantes “mais de quase 30 vezes” no caso da oferta para beneficiários de planos de saúde.

Que alguma coisa está errada na oferta de postos de trabalho desses profissionais pelo Brasil, acredito que com os gráficos ninguém vai duvidar ... não é verdade ?

 

 

Graças a Deus, algumas das bobagens que falam sobre o tema são “facilmente desmentidas” por números indiscutíveis:

·         O gráfico de cima demonstra o crescimento do mercado para biomédicos no SUS. Mais que dobrou entre o pré e o pós pandemia ! Um período em que “passar o cotonete no nariz” das pessoas dando foco ao diagnóstico de uma doença apenas foi protagonista em relação a evolução de técnicas de diagnóstico para doenças em geral;

·         O de baixo, o crescimento do mercado na saúde suplementar ... também mais que dobrou.

Um “banho de água fria” para quem diz que a saúde está cada vez necessitando menos de biomédicos ... é difícil entender por que existem pessoas que dizem isso ... com base no quê ... e com qual intenção !

Em uma época em que “mentiras” publicadas com frequência em redes sociais acabam virando “narrativas para prejudicar”, é uma prática extremamente danosa ... não somente para os biomédicos ... mas para a saúde pública e privada !

 

 

Se “o mundo gira em torno do dinheiro” ... e com todo o respeito, é o que infelizmente eu acredito ...

·         O fato de termos proporcionalmente mais biomédicos per capita na saúde suplementar do que no SUS nos sinaliza que “também para o dinheiro” o biomédico é mais necessário na gestão da saúde;

·         Em praticamente todas as UFs do Brasil a proporção per capita de biomédicos na saúde suplementar é maior que no SUS !

·         Inclusive ... é sinal de que algumas pessoas, especialmente algumas pessoas que fazem gestão da saúde pública, devem repensar algumas ações de planejamento.

Biomedicina está extremamente relacionada ao diagnóstico ... ao diagnóstico preciso ... ao diagnóstico precoce ... que é a base para a prevenção de doenças e redução do agravo de consequências delas:

·         Ação que reduz os custos com os tratamentos de maior complexidade ... os procedimentos que consomem mais recursos de saúde quando realizados tardiamente;

·         Isso é uma questão, até antes de humanitária, de “pura matemática” ! ... “tão simples quanto isso” !!

Na aula sobre gestão de contratos, um dos temas colocados foi a necessidade de sempre existir controle de SLA no produto que o fornecedor entrega:

·         Não somente medir e pagar ... que é a prática mais comum de contratos de terceirização de mão de obra;

·         Estabelecer controles que desafiem o fornecedor a melhorar o produto entregue através de premiação e penalização;

·         Somente a penalização não desenvolve a parceria ... não melhora o objeto da contratação ... apenas faz com que o fornecedor se prepare para “pular acima do sarrafo”;

·         Com penalização e premiação, de comum acordo, “contratante e contratado” vão “subindo e descendo a altura do sarrafo” de acordo com a altura que “o técnico e o atleta entendem que é possível pular” ... isso é parceria ... isso faz a diferença na gestão do contrato de terceirização.

Com SLA pleno em que abandonamos a ideia de pedir indenização pelo erro, e colocamos a ideia de que se o fornecedor me entregar com maior qualidade e menos erro eu estou disposto a pagar mais, os contratos geram melhores resultados:

·         Com mera medição e penalização, queremos o que o atleta pula mais alto que os outros ... que o fornecedor supere os demais;

·         Com SLA pleno, premiamos o fornecedor que “bater o recorde” ... não somente o fornecedor que ganha dos outros ... ele não vai apenas ganhar mais ... vai me fazer ganhar muito mais em parceria com ele.

E existem poucas atividades como a de biomédico em que é possível estabelecer critérios técnicos simples para definir se o sarrafo pode subir ou descer:

·         Situações em que premiar ao subir o sarrafo não significa simplesmente maior empenho de recursos para pagamento do fornecedor;

·         Contratar o biomédico não somente para pular mais alto que o outro, mas usar a sua formação analítica para buscarmos o recorde ... a melhoria do processo de diagnóstico ... se é que me entende !!

·         É uma atividade em que subir o sarrafo e premiar significa melhorar o resultado do contrato ... pagar mais por um serviço que resulta em aumento de receita ou redução de custos para o contratante ... onde o ganho financeiro é muito maior do que o custo da premiação !

Onde o que ele entrega pode significar tratar mais rapidamente quem necessita e não gastar desnecessariamente com quem não necessita.

Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde  para gestores da saúde privada e pública     www.cpgs.net.br

Conteúdo especializado para gestores da área da saúde privada e pública  www.noticia.net.br

Geografia Econômica da Saúde no Brasil, e seminários temáticos  www.gesb.net.br

Consultoria especializada para hospitais e operadoras de planos de saúde  contato@escepti.com.br

 

Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP

Histórico Profissional

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado