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Planejamento no Gigante Mercado da Saúde do Brasil

0463 – 11/04/2026

Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Quase 600 mil estabelecimentos de saúde, geram uma infinidade de cenários de planejamento completamente diferentes

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

Nesta última sexta-feira tive novamente a honra de ministrar aula em turma de pós-graduação do Einstein, e é sempre obrigatório agradecer para as professoras coordenadoras Glauce Roseane de Almeida Brito e Deise de Carvalho pela oportunidade ... muito obrigado !!!

A encomenda foi falar sobre planejamento estratégico e, como sempre, deixamos as técnicas de planejamento para a última parte da aula, explorando no início as discussões sobre o que é o mercado da saúde, e suas principais oportunidades e riscos.

Coleciono ter participado profissionalmente de vários projetos de planejamento na área da saúde ... não lembro exatamente quantos ... algumas dezenas com certeza ! ... a maioria não como coordenador do projeto, apenas como “envolvido”.

Vários deles o projeto foi “uma lambança” ... sem propósito ... sem resultado prático ... desconectados com o mercado ... graças a Deus em nenhum desses eu era da equipe coordenadora de projeto ... nesses em que o episódio foi “um show de horror” o que existiu de comum foi o desconhecimento da equipe coordenadora em relação ao que é o mercado real da área da saúde.

A figura ilustra a quantidade de estabelecimentos de saúde que existem no Brasil:

·         São quase 600 mil, entre públicas, privadas, coletivas, individuais, com e sem fins lucrativos ...

·         Tenho orgulho de atuar em gestão em um segmento como este ... um grande orgulho !

Invariavelmente projetos de planejamento acabam sendo conduzidos por pessoas que conhecem “meia dúzia de empresas” e acham que o mercado da saúde é somente o que eles conhecem ...

·         ... ou pensam que o mercado é regido por aquilo “a meia dúzia e empresas” que conhece representa;

·         É claro que, desta forma, a lambança é inevitável !

·         Chega a ser engraçado, nestes casos, ver a equipe de desenvolvimento comemorando a publicação do planejamento, com definição de ações que “de estratégicas” não têm nada, consumiram “empenho hercúleo” de dezenas de “gestores caros” para “não dar em absolutamente nada de prático” na execução do plano.

Em um segmento que “briga pela escassez de recursos” para cumprir sua missão social, como é a da área da saúde, “gastar dinheiro à toa” eu nem considero desperdício ... para mim é “pecado” !

 

 

Os estabelecimentos de saúde “banham” todo o território brasileiro:

·         Muito próximos da proporcionalidade populacional;

·         Em relação ao nosso SUS esta proporcionalidade “per capita” é quase absoluta;

·         Em relação à saúde suplementar, evidentemente, sofre influência “do PIB” regional ... onde existe mais dinheiro, existe mais oferta de saúde suplementar ... existem mais estabelecimentos para ofertar os serviços, para regular os serviços ...

Em uma aula de planejamento é recompensante introduzir a discussão com “flashes” do que é o mercado da saúde:

·         Nesta turma de aula, existem gestores de diferentes UFs Brasileiras;

·         Cada uma com particularidades que influenciam completamente o direcionamento que se pode ... que se deve ... dar ao planejamento;

·         Se iniciamos o planejamento sem que os envolvidos se situem na realidade da geografia econômica da sua região, o resultado certamente será ruim.

É comum equipes de planejamento até chegarem a discutir, dentro do conhecimento deles, a geografia econômica da região com o nível mais alto da gestão da instituição, mas não fazer isso com os níveis táticos:

·         Um erro que tem como preço um planejamento absolutamente desconectado da realidade;

·         Um plano que contém ações que, ou não são entendidas pela estrutura que tem a missão de conduzir na prática ...

·         ... ou que contenha ações que não são viáveis na prática e os gestores, intimidados pela amplitude do projeto que “vem de cima para baixo”, nem se atrevem a contestar ... vão “tocando o barco” na direção do fracasso, se é que me entende !

 

 

Quando falamos sobre o segmento da saúde a maioria absoluta das pessoas pensam em hospitais, postos de saúde e prontos-socorros apenas:

·         Para alunos de turma de pós-graduação, falar saúde pensando nisso “é sacrilégio”;

·         Quase metade do segmento é formado por consultórios isolados ... de médicos, dentistas, psicólogos, fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, educadores físicos ... e de outros profissionais multidisciplinares;

·         O gestor de saúde pode até estar vinculado a uma grande empresa ... mas é impossível atuar de forma adequada na gestão se ignorar que o que faz está intimamente ligado, e influencia e sofre influência, dessa “infinidade” de pequenos estabelecimentos;

·         Para ilustrar: não dá para fazer gestão comercial em hospital, ou gestão de credenciamento em operadora de plano de saúde, sem se relacionar direta ou indiretamente com os consultórios médicos que são a origem da produção hospitalar e/ou da sinistralidade da operadora de planos de saúde ... fica claro assim que sem entender “consultório” fica mais difícil rentabilizar o hospital ou a operadora ? ... acho que sim !

Esta lista de tipos de estabelecimentos segundo a classificação do CNES é grande, não é verdade ?

·         Mas na verdade é bem maior ...

·         Tem ali um tipo chamado “SADT Isolado” ... quantos tipos de SADT voce conhece ? ... eu conheço vários e vários tipos completamente diferentes de SADTs isolados ...

·         ... apenas com exames de imagem ... apenas com exames de métodos gráficos ... apenas com exames de laboratório ... apenas com terapias invasivas ... e vários “outras apenas”;

·         “Para complicar”, existem os que combinam 2 desses apenas ... ou 3 ou 4 ... formando instituições bem diferentes;

·         E nos dando a noção de que a lista de tipos de estabelecimentos é bem maior que a da classificação do CNES !

O segmento da saúde é fantástico !! ... para “nerds em gestão como eu”: é maravilhoso !!!

 

 

Quem viu a primeira figura do texto que classificava os estabelecimentos por grupos de natureza jurídica e não teve a oportunidade de estudar o assunto ainda nem imagina a diversidade de tipos de naturezas jurídicas que existem nos estabelecimentos da área da saúde:

·         A figura ilustra esta diversidade, distribuindo os estabelecimentos por cada uma delas;

·         Nenhum outro segmento da economia “embarca” tantos tipos de naturezas jurídicas;

·         Com todo o orgulho de dizer que atuei profissionalmente em mais de 200 hospitais, mais de 50 operadoras ... e mais de dezenas de outras tipos de instituições e empresas tanto do segmento como de fora dele ...

·         ... tenho a absoluta humildade em saber que “da música conheço apenas uma cifra” !

·         E como é importante em uma aula ressaltar que para planejar minimamente de forma adequada é imprescindível entender a natureza jurídica da instituição que voce está, e das instituições que estão “ligadas na cadeia de valores” dela antes de “se atrever” a definir qualquer tipo de estratégia.

Temos operadoras de planos de saúde privadas, públicas, com e sem fins lucrativos, cooperativas ... de vários tipos de naturezas jurídicas ...

·         ... hospitais públicos, privados, com e sem fins lucrativos, da administração direta, autarquias ... de vários tipos de naturezas jurídicas;

·         Quando quem conduz o planejamento “rotula” todas as operadoras da mesma forma ... todos os hospitais da mesma forma ... instituições que estão no mercado por razões diferentes ... com objetivos sociais diferentes ... com interesses diferentes ...

·         ... resultado: lambança !

 

 

Enquanto Deus me der saúde, e os amigos me derem oportunidade, vou estar com o maior prazer passando um pouco dessa experiência em aulas e programas de capacitação de gestores:

·         Porque não existe nenhum indicador que sinalize que o segmento da saúde está estagnado ou encolhendo;

·         Muito pelo contrário !!!!!!!!

·         O gráfico demonstra a evolução do volume de estabelecimentos de saúde nos últimos anos;

·         O mercado quase duplicou de tamanho em apenas 8 anos;

·         Tendo no meio desse período uma pandemia que prejudicou e muito o planejamento da saúde ... e que, também, modificou em muito a visão restrita de planejamento que existia, é bom que se diga !

·         É ou não é um segmento da economia fantástico !

Infelizmente não temos evolução proporcional de bons gestores de saúde:

·         Claro que o mercado vai oferecendo vagas que vão sendo assumidas por profissionais;

·         Claro que existem excelentes gestores de saúde ... tenho o prazer de conhecer centenas deles ... muitos que reputo serem gestores de saúde muito melhores que eu ... muito mais capacitados;

·         Mas é fato que não dobrou o volume de gestores de saúde bem capacitados que exista em 2017 ao final de 2025;

·         Pergunte para qualquer CEO de secretaria de saúde, de operadora de plano de saúde, de hospital, clínica, centro de diagnóstico, fornecedor de insumos de saúde ...

·         ... pergunte se ele tem dificuldade de contratar gestores de saúde bem capacitados;

·         Depois me diga se a afirmação de que “necessitamos de mais gestores bem capacitados” é exagero !

 

Então me permito nestas aulas em turmas de pós-graduação, discutir as ferramentas que utilizamos no desenvolvimento do planejamento estratégico somente após estressar a discussão sobre o mercado ... sobre cenários:

·         Para discutir missão, visão e valores ... BCG ... Canvas ... SWOT ... BSC ... e várias outras ferramentas de desenvolvimento de plano estratégico de forma assertiva;

·         Porque são ferramentas ... são “meio”;

·         Não pode ser objetivo do planejamento construir uma matriz Canvas ...

·         ... matriz Canvas é mera ferramenta para alcançar o objetivo do planejamento que é definir objetivos e ações estratégica.

Tenho a honra de ter encontrado alunos após cursos para desenvolver projetos de gestão de contratos, ciclo de receitas, gestão de custos, faturamento e auditoria ... colecionei vários momentos desses e, graças a Deus, continuo colecionando:

·         Se pude contribuir com algo nessa nova turma foi enfatizar a necessidade deles sempre estarem atentos ao que “cerca” a empresa em que atuam;

·         Boa parte desses alunos, se já não forem, em breve estarão em posição de gestão nas instituições que se vinculam;

·         E, ou vão estar incluídos no grupo de planejamento da instituição, ou vão desenvolver o plano estratégico da empresa, ou de uma unidade de negócios da empresa;

·         Tendo como premissa entender o cenário, estarão desenvolvendo planos mais aderentes a necessidade.

E com planejamento estratégico adequado ... conduzido por gestores que conhecem o mercado ... o resultado final é conseguirmos destinar os escassos recursos que existem da melhor forma para melhorar o acesso da população à saúde ! ... a missão essencial de gestores que atuam na saúde !

Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde  para gestores da saúde privada e pública     www.cpgs.net.br

Conteúdo especializado para gestores da área da saúde privada e pública  www.noticia.net.br

Geografia Econômica da Saúde no Brasil, e seminários temáticos  www.gesb.net.br

Consultoria especializada para hospitais e operadoras de planos de saúde  contato@escepti.com.br

 

Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP

Histórico Profissional

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado