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Odontologia continua sendo coisa para paciente rico no Brasil

0466 – 28/04/2026

Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Avanço da odontologia no SUS é fato, mas acesso e cobertura adequada é fake

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

Saúde bucal segue historicamente no mundo uma trajetória muito diferente do restante da saúde:

·         Por alguma razão, odontologia não se insere na medicina como uma especialidade;

·         É curioso existir “dentro da medicina”, entre outras especialidades, oftalmologia, dermatologia, audiologia ... e odontologia “não estar dentro” não é verdade ?

Talvez por esta razão a saúde bucal seja tão diferente no âmbito da saúde pública. Para dar a dimensão do quanto é diferente:

·         Temos mais de 240.000 postos de trabalho de dentistas na saúde suplementar;

·         Enquanto temos 205.000 no SUS !

É a profissão da saúde em que esta relação é inversa: tem mais na saúde suplementar do que no SUS ... e a diferença, vamos combinar, não é pouca ... cerca de 20 % a mais:

·         Lembrando que temos muito mais pessoas dependentes do SUS do que as que podem pagar por tratamento em saúde ...

·         ... e que as pessoas dependentes do SUS são as que têm menor poder aquisitivo ...

·         ... “aqui no Brasil é coisa pra rico” ! ... não é exagero !!

Esta proporção “per capita” fica bem clara nos gráficos de calor:

·         Enquanto no SUS a variação “per capita SUS” não chega a 3 vezes entre a UF de menor oferta para a UF de maior oferta de profissionais ...

·         ... na saúde suplementar passa de 10 vezes;

·         E os indicadores básicos per capita são no geral 4 vezes maiores na saúde suplementar do que no SUS.

Então ... é exagero ?

 

 

Temos uma das odontologias mais desenvolvidas ... mais especializadas ... do mundo !

·         Uma carreira com diversas opções de especialização que vai desde a necessidade básica do tratamento de cárie até “moderníssimos” tratamentos estéticos;

·         A radiologia odontológica extremamente especializada;

·         E softwares de documentação e tratamento de imagens fantásticos que dão ao profissional total suporte para decidir pela conduta mais adequada ... são poucos estúdios de Hollywood que tem recursos de tratamento de imagem como os que a gente vê em “meros consultórios dentários” !!

Quando o jovem decide seguir a carreira de odontologia, muitas vezes influenciado pelos pais, não tem a dimensão do “espectro de possibilidades” que o segmento oferece:

·         Até porque parte “desses pais”, os que têm a minha idade, nem tem total domínio do significado de todas as especialidades que a odontologia desenvolveu;

·         “Sou do tempo” que a gente ia ao consultório do dentista que “trabalhava” sozinho, e se relacionava somente com o protético.

Quanta mudança para uma época em que a atividade é multidisciplinar e, dependendo do caso, o paciente passa por “meia dúzia” de especialistas !

 

 

O fato é que no SUS, o vínculo que o sistema de financiamento estabelece com os profissionais não é adequado, e o encaminhamento de uma especialidade para outra não é simples:

·         O médico quando define uma conduta no SUS tem uma rede de referência mais robusta se necessitar encaminhar o caso para outra especialidade;

·         Com o dentista no SUS não ocorre o mesmo – alguns casos em que o especialista depende da intervenção do outro para que ele possa dar continuidade ao seu tratamento não é simples, e pode até ser inviabilizado;

·         Nesses casos o paciente “fica nas mãos de Deus” para conseguir uma vaga na outra especialidade, e o dentista, mais que naturalmente, se sente desmotivado ... sem retaguarda.

 

 

Já na saúde suplementar o encaminhamento se viabiliza:

·         Porque é um encaminhamento feito “entre autônomos”, livres e desimpedidos sem fazerem parte de uma rede regulatória, como é o caso do SUS;

·         No SUS o paciente será encaminhado para o credenciado do SUS, de acordo com a regulação do SUS;

·         Na saúde suplementar, o encaminhamento é feito “para o mundo” ... para quem o paciente quiser e puder pagar, sem que o dentista que encaminha determine exatamente quem deve ser o seu “parceiro”.

Mas a odontologia no Brasil está passando por um momento de transformação:

·         Os planos de saúde odontológicos estão cada vez mais sendo conhecidos e adquiridos pela população;

·         Embora comparativamente muito mais restritivos do que os planos de assistência médica, são baratos ... muito mais acessíveis para a população ... e “para o dia a dia” são mais que suficientes, apesar das restrições.

Em breve teremos mais beneficiários de planos odontológicos do que de assistência médica, o que dá ao profissional de odontologia maior campo de trabalho:

·         Evidentemente o nível de remuneração tende a diminuir, porque a operadora de planos de saúde naturalmente sempre vai querer ficar com uma fatia cada vez maior de margem ... faz parte do jogo;

·         Mas o volume de tratamentos vai aumentar ... graças a Deus o acesso da população à odontologia vai aumentar, e é isso que qualquer gestor da área da saúde sempre deseja.

O que está mal resolvido na Odonto, é a questão das órteses e próteses:

·         Não é privilégio da Odonto ... na medicina OPME é, sempre foi, algo muito mais caro do que deveria ser;

·         Na medicina, pinos, placas, marcapassos, válvulas ... tem preços abusivos ... por mais que fabricantes apresentem justificativas, não existe lógica para que um pequeno pino seja mais caro que uma tonelada de aço ... que um marcapasso custe mais caro do que um computador ...

·         Na Odonto, a relação é ainda pior ... um minúsculo pedacinho de cerâmica não pode custar mais caro do que uma peça “da época da Dinastia Ming” ... um conjunto de aparelhos de plástico não pode custar mais caro do que todo o material descartável utilizado por um restaurante em um mês de funcionamento ...

Evidentemente estas coisas estão erradas ... órteses e próteses é assunto mal resolvido na medicina e na odontologia “não é de hoje” ... mas um dia alguém “vai ter que pôr a mão nesse vespeiro de verdade” e resolver, se é que me entende !

Independente desse percalço, temos no Brasil uma odontologia para nos orgulhar !

Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde  para gestores da saúde privada e pública     www.cpgs.net.br

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Consultoria especializada para hospitais e operadoras de planos de saúde  contato@escepti.com.br

 

Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP

Histórico Profissional

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado