Gaps do Financiamento da Saúde que desvalorizam o Assistente Social
0469 – 11/05/2026
Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil
Saúde financiando Assistência Social prejudica o acesso da população na área pública e privada
(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti
Com a proximidade do dia do assistente social, achei oportuno um texto relacionado a estes profissionais.
Dentre os mais de duzentos hospitais que Deus me deu a oportunidade de atuar profissionalmente, tive a honra de desenvolver projetos em hospitais psiquiátricos ... 4 públicos e 1 privado ... nesta especialidade, incluo mais 5 CAPS’s.
Nestes projetos convivi com a rotina do assistente social, talvez em uma das mais significativas que a profissão deles possa oferecer para colocarem em prática o extremo da sua especialização, com pessoas extremamente carentes de assistência social na essência.
Boa parte dos “pacientes” em Hospitais Psiquiátricos e CAPS não se enquadram exatamente no que podemos chamar de “transtorno mental”, “dependência em álcool e drogas” ... são pessoas carentes de conhecimento sobre os direitos que têm como cidadãos ... e é claro, a maioria são mesmo “pacientes” que necessitam de planos de cuidados multidisciplinares.
Todos eles ... sem exceção ... não têm domínio a respeito dos benefícios sociais que têm direito.
E estão em um ambiente “de tratamento de saúde, rodeados” por profissionais que têm especialização para tratar doenças, que também não dominam direitos sociais ... exceto o assistente social.
Neste cenário a figura do assistente social é absolutamente indispensável ... insubstituível ... fundamental !
Em outros “ambientes de saúde” ... hospitais não psiquiátricos, ambulatórios e ambulatórios de especialidades ... todos ... especialmente para pessoas das camadas socioeconômicas mais carentes, o cenário não é muito diferente:
· As pessoas estão em um ambiente especializado em curar doenças;
· Não estão lidando prioritariamente com profissionais especializados em ações sociais ... estão lidando com médicos, enfermeiros e outros profissionais multidisciplinares que não sabem ... não tem obrigação de saber ... como lidar com carências dos indivíduos que tratam e se relacionam com aspectos sociais ... não doenças !
A sociedade, especialmente os mais carentes economicamente, necessitam muito de profissionais especializados em assistência social.
E como demonstram os gráficos, temos muito poucos no Brasil:
· No SUS, na maioria absoluta das UFs, não chegamos a ter meio profissional para cada 1.000 habitantes ... um indicador vergonhoso !
· E na saúde suplementar o cenário é ainda pior ... na média oferta 5 vezes menor que no SUS !!

Temos no Brasil, na área da saúde, menos de 60.000 postos de trabalho para assistentes sociais, somando SUS e saúde suplementar:
· Para um país com mais de 4.500 municípios, fazendo uma “continha de cabeça” dá para entender que a quantidade existente de assistentes sociais é insignificante em relação ao que deveria ser;
· Existem unidades da federação que o volume é tão pequeno que dá para afirmar que na prática não existe estrutura de assistência social neles, integrada a atenção à saúde.
O problema que o assistente social enfrenta se refere a isso: a integração da assistência social com a saúde definida nas leis !
Nossa constituição define Seguridade Social como o conjunto de ações que incluem Assistência Social, Previdência Social e Saúde:
· Por exemplo, quando contribuímos ao INSS, sejamos funcionários de empresas (contribuição ao INSS), sejamos empresas (contribuição patronal sobre os salários e CSSL) estamos “alimentando” estas 3 ações sociais importantíssimas para a população através do tributo que pagamos ... todos nós financiamos saúde, previdência e assistência;
· E as leis complementares detalham como “este dinheiro” é distribuído entre “os 3 pedacinhos” da seguridade social.
Leis complementares e as “próprias constituições” da Assistência, Previdência e Saúde também detalham como o dinheiro arrecadado deve ser aplicado: define o orçamento e os “processos orgânicos” que fazem o dinheiro chegar na ponta: na prestação de serviços ao cidadão.
Estas leis “não misturam” previdência das outras duas:
· É bem clara a captação e o empenho de recursos para financiar a aposentadoria dos brasileiros;
· Mas são inadequadas em relação a separação do que é assistência social e o que é saúde;
· Esta mistura entre Assistência e Saúde é extremamente danosa, para a assistência, para a saúde e, principalmente, para a população !
“Dinheiro da saúde” é destinado para remunerar procedimentos de assistentes sociais:
· Como a saúde prioriza o repasse de procedimentos de urgência, assim entendidos os que envolvem risco de vida aos beneficiários do SUS, e tem “um milhão” de especialidades diferentes, e assistência social é apenas uma delas ...
· ... praticamente nada do orçamento do SUS é destinado para a assistência social.
Na verdade, saúde deveria destinar 0 (zero) para atividades de assistência social:
· É mais do que evidente que a assistência social deveria ser financiada exclusivamente com os recursos da Assistência Social;
· Entre o SUS priorizar recursos para ações de prevenção e promoção da saúde que envolvem “milhões de especialidades” e priorizar ações de assistência social que envolve uma especialidade, é claro que vai priorizar as ações da medicina e odontologia, não é verdade ?

O resultado “danoso” deste cenário para os assistentes sociais pode ser observado no quadro.
Temos na prática somente assistentes sociais atuando no SUS:
· A saúde suplementar não remunera procedimentos de assistentes sociais;
· O plano de saúde não cobre “assistência social”;
· E, “cá entre nós”, está certo, porque o que se busca na saúde suplementar é “saúde” “suplementar” e não assistência social;
· Nem temos na “tabela TUSS” códigos de procedimentos relacionados à assistência social ... somente relacionados à saúde !
Por “mais bizarra e revoltante” que a frase possa parecer: a saúde suplementar está certa !
· Não é correto o beneficiário de plano de saúde, que paga por “saúde suplementar”, financiar a necessidade de assistência social de outros;
· Não se faz isso nem misturando medicina e odontologia ... os beneficiários pagam preços diferentes por uma coisa e por outra.
E o próprio SUS praticamente só remunera o assistente social nas interações de consultas em ambiente ambulatorial:
· Não existe remuneração para planejar, assistir e acompanhar o ciclo de necessidade do paciente;
· Então o assistente social praticamente interage “quando o indivíduo” comparece para consultas no ambulatório, sem um ciclo de assistência adequado ... infelizmente !
É mais que necessário que “esta mistura de financiamento” seja desfeita:
· Se a Assistência Social remunerar com os seus recursos, e não com os recursos do SUS, será muito melhor para o paciente;
· E será muito melhor para o assistente social ... vai desfazer este cenário atual que não valoriza a atividade do assistente social !
Legislativo, Executivo e Judiciário deveriam estar dando foco a este problema definindo fontes de financiamento adequadas para assistência social, sem depender dos recursos, já escassos, da saúde:
· Em um país onde se aumenta a carga tributária sem limites para financiar fundos eleitorais e partidários, e muito, não é errado pensar em um aumento de carga tributária para financiar adequadamente a assistência social, de modo que o financiamento desses profissionais que atuam na área da saúde deixe de competir com o orçamento específico de tratamentos de saúde;
· Se colocarmos as contas “na ponta do lápis” o que a assistência social necessita de aporte de recursos financeiros para atuar adequadamente na saúde, e em outros segmentos como o da educação por exemplo, sem depender do orçamento deles, é pequeno ... “não é isso que vai mudar a cotação do dólar”, se é que me entende !
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Conteúdo especializado para gestores da área da saúde privada e pública www.noticia.net.br
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Consultoria especializada para hospitais e operadoras de planos de saúde contato@escepti.com.br
Sobre o autor Enio Jorge Salu
CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
· Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP
Histórico Profissional
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado