O desafio de alimentar alinhando com o tratamento de saúde
0472 – 21/05/2026
Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil
Pouca gente realmente conhece a importância e amplitude da Nutrição em Saúde
(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti
Temos mais de 100 mil profissionais da área da nutrição que atuam na área da saúde no Brasil.
Só registrados no CNES, 96,6 mil:
· Além do viés de cadastramento do CNES ... que é fato ... e sempre nos leva a alguma subnotificação;
· E o contingente dos que atuam em empresas que prestam serviços de nutrição para a área da saúde, mas que não são estabelecimentos de saúde, que também não entram nesta conta do CNES;
· Estamos referenciando apenas nutricionistas que atuam na área da saúde ... nem estamos citando os que atuam na própria área de alimentação, na área de educação, e em diversas outras áreas que necessitam desses profissionais especializados, e são várias;
· Estes profissionais formam “uma legião” ... só Deus sabe de quantos !
Quando se fala em nutrição na área da saúde, a maioria da população só pensa na atividade relacionada ao controle de peso:
· Que é uma atividade importantíssima, diga-se de passagem;
· Mas está longe de ser a única, ou a mais importante.
O paciente internado, por exemplo, demanda cuidados nutricionais específicos:
· Que viabilizam a realização de determinados procedimentos;
· Que estabilizam o paciente após um procedimento cirúrgico e/ou tratamentos clínicos;
· ... que evita que efeitos colaterais de uma alimentação inadequada possam ocorrer especialmente em momentos em que a resistência do corpo está mais baixa.
E, vamos lembrar, os diversos casos em que a alimentação “nem rola” pela boca, sendo ministrada por meio de sondas ou corrente sanguínea ...
· Exige integração com a enfermagem e/ou farmácia para ministração e coleta de informações;
· E tem a evolução e os resultados avaliados por um profissional de nutrição com especialização para isso.
A tabela e os gráficos de calor demonstram que a especialidade se espalha por todo o território nacional:
· E tem uma das menores desproporções de distribuição em relação a maioria das profissões da saúde;
· Alimentação ... nutrição ... não espera, por isso a presença de profissionais para disponibilizar aos pacientes “não é muito negociável”, se é que me entende ... tem que existir !

É também uma das profissões “mais democráticas” do segmento em relação aos tipos de vínculos que o profissional desenvolve com a instituição, como demonstra a tabela.
Tabela que também demonstra que várias profissões que a gente vê no segmento de alimentação em geral estão presentes na área da saúde:
· Algumas a gente até se admira de existirem, como barman, copeiro;
· Vamos lembrar que existem inúmeros estabelecimentos de saúde que oferecem ao paciente serviços de hotelaria 5 estrelas, e “o ambiente que envolve” a alimentação é parte importante deste diferencial de hotelaria;
· Também vamos lembrar também que a Nutrição em um serviço de saúde não alimenta somente o paciente ... alimenta o acompanhante do paciente e as equipes de profissionais que trabalham no serviço de saúde !

A evolução do segmento está em todos os indicadores de geografia econômica da saúde como demonstram os gráficos:
· Seja no SUS, seja na saúde suplementar;
· Atraindo cada vez mais jovens na busca desta especialização profissional.
Esta especialização que no Brasil tem uma característica de diversidade que ocorre em poucos países:
· Como temos uma grande diversidade de costumes regionais, ao elaborar um cardápio sempre é necessário se atentar aos alimentos que são mais comuns em determinadas regiões, que podem ser “intolerados” em outras. Para entender, por exemplo, mesmo sem pensar em paciente internado, é comum em determinadas regiões utilizar coentro na elaboração de pratos, mas em algumas regiões é um ingrediente praticamente “proibitivo de utilização”.
E temos origens de colonização e ocupação territorial de diversas etnias de uma enorme quantidade de países:
· Temos a maior “”colônia” de portugueses fora de Portugal, de japoneses fora do Japão, de italianos fora da Itália ...
· E temos hospitais vinculados a colônia portuguesa, a alemã, a inglesa, a japonesa, a judaica ...
· Se quisermos maximizar a experiência desta diversidade de pacientes ... e de seus acompanhantes ... é interessante que saibamos fazer e ofertar tanto arroz, feijão, bife e purê, como comida kosher !
Os mais velhos costumam “brincar” dizendo que um doente está curado quando começa a reclamar da comida ... mas se sair curado de um hospital sem reclamar da comida é melhor ... não é verdade ?
O que mais diferencia o profissional de nutrição do segmento da saúde do que atua fora dela é a capacidade analítica:
· Avaliar do que foi ofertado e o que foi consumido, com a preocupação não de “aumentar o ticket médio da conta de um restaurante”, mas de disponibilizar os nutrientes que o paciente necessita, e se ele não tolera determinado alimento e isso vai prejudicar o seu tratamento, oferecer alternativa “tolerável” por ele ...
· ... e avaliar se algum efeito adverso ocorreu, ou está ocorrendo, no tratamento do paciente que se relaciona com o tipo de dieta prescrita;
· Atividades que fazem parte do “rol” da “Nutrição Clínica”.
Infelizmente tanto SUS como saúde suplementar não remuneram adequadamente esta atividade. Reconhecem a necessidade e importância, mas não define regras de remuneração adequadas que a gente possa ver inclusive “na conta hospitalar”.
Mas o progresso da especialidade, como demonstram os números, é inquestionável ... ainda bem !
Necessitando informações ou estudos macroeconômicos que incluem inclusive dados demográficos sobre profissões na saúde, consulte a página Geografia Econômica da Saúde no Brasil www.gesb.net.br , ou contato@escepti.com.br
Sobre o autor Enio Jorge Salu
CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
· Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP
Histórico Profissional
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado