Procedimentos outliers ainda definem a profissão do Fonoaudiólogo
0474 – 28/05/2026
Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil
Uso da tecnologia tende a aumentar a necessidade de tratamentos de fonoaudiologia
(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti
Duas das frases que marcaram a minha vida ... pessoal e profissional ... acontecerem na virada do século:
· A história do mundo será dividida entre antes e depois da Internet;
· Estamos iniciando a formação educacional de jovens hoje para trabalharem em profissões que ainda nem imaginamos que poderão existir em poucos anos !
A Internet, entre outras coisas ... boas e ruins ... reduziu a necessidade das pessoas conversarem:
· Especialmente no ambiente profissional, mas no pessoal também, as pessoas passaram a escrever mais para interagir e se comunicarem de modo geral;
· Falando menos;
· Até o ato de escrever, como evolução desta própria mudança, vai se modificando ... as pessoas antes falavam nas redes sociais, depois foram escrevendo, e depois foram incrementando o uso de “Emojis” para nem mesmo ter que escrever !
· É comum enviar um emoji com “mãozinhas rezando” do que escrever obrigado !
· Fala sério: tem mensagem que a gente recebe inclusive que “haja ajuda de Deus” para entender o que significa ... é tanta gíria, emoji, abreviação ... que a gente duvida que a própria pessoa que enviou tem alguma noção do que quis dizer !
Usamos cada vez menos um “poder” natural que temos: a voz. E um dos efeitos colaterais deste cenário de subutilização de uma competência humana é a necessidade de tratamento com um fonoaudiólogo.
A “Fono”, é claro, tem muito mais demanda do que a originada especificamente por esta ...este é apenas um pequeno exemplo do ambiente que lida com prevenir, avaliar, reabilitar e aperfeiçoar a comunicação humana e as funções de mastigação, respiração e deglutição:
· Voz;
· Linguagem e Fala;
· Motricidade Orofacial;
· Audição;
· Neurologia e Casos Complexos (exemplo: TEA).
É fato que a Fono foi regulamentada no Brasil antes das marcantes frases citadas que me chamaram a atenção na época da intensificação do uso da Internet:
· Mas não tão antes assim ... foi em 1981 !
· Comparada com as outras profissões da saúde, algumas que existem há séculos, Fono ainda é uma das “debutantes” !!
E, como demonstram os gráficos:
· Já tem um contingente importante de postos de trabalho disponíveis ... aproximadamente 50 mil .... metade no SUS e metade na saúde suplementar;
· Evoluindo gradativamente;
· E se desenvolvendo proporcionalmente mais nas regiões Norte e Oeste do Brasil, onde a carência de profissionais é mais intensa.

É uma das profissões assistenciais onde o SUS mais carece de oferta de acesso para a população:
· A Tabela SIGTAP do SUS e o “rol” de procedimentos da ANS ainda deverão se modificar significativamente conforme a especialidade for se desenvolvendo ...
· ... conforme as demandas dos pacientes forem se intensificando.
Exemplo disso é “o advento Terapia ABA”:
· Tal como ocorre a evolução de TOs em ABA, também existe a evolução de Fonos;
· Em muitos casos a fonoaudiologia é o centro da atenção do protocolo aplicado ao “paciente TEA” !
Isso vai naturalmente alterar esta tabela de distribuição de postos de trabalho pelo Brasil:
· Por enquanto, é a especialidade que possui as maiores discrepâncias de oferta “per capita” de profissionais;
· É fato que, especialmente no SUS, as discrepâncias ocorrem mais por falta de profissional do que por falta de recurso de financiamento.

Todos os indicadores da geografia econômica da saúde da especialidade demonstram que, em relação ao financiamento, a especialidade ainda está se desenvolvendo.
A distribuição dos profissionais por subespecialidade ainda é muito concentrada na, vamos dizer assim, “genérica”.
Os vínculos desenvolvidos com os serviços de saúde guardam particularidades interessantes:
· No SUS tem uma alta proporção de celetistas grande em relação aos demais;
· E na saúde suplementar tem uma baixa proporção de celetistas;
· Sempre é esperado justamente o contrário !
Este cenário ainda é consequência de que procedimentos fora do rol SIGTAP e fora do rol ANS ainda são os protagonistas das atividades da Fono:
· Ainda temos os outliers como “carro chefe da Fono”;
· Enquanto o cenário for este, no SUS, por exemplo, a desproporção de oferta de acesso vai continuar sendo intensa ...
· ... e na saúde suplementar, o acesso ainda será limitado para beneficiários de planos de saúde, com boa parcela de pacientes particulares !
Necessitando informações ou estudos macroeconômicos que incluem inclusive dados demográficos sobre profissões na saúde, consulte a página Geografia Econômica da Saúde no Brasil www.gesb.net.br , ou contato@escepti.com.br
Sobre o autor Enio Jorge Salu
CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
· Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP
Histórico Profissional
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado