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A vida vai complicando, e os psicólogos vão sendo mais demandados

0476 – 07/06/2026

Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Existe algum segmento de mercado que não necessita de psicólogos ?

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

Dentre as “profissões assistenciais” no segmento da saúde, a de psicólogo é a que mais tem crescido em volume de postos de trabalho simultaneamente no SUS e na saúde suplementar, como demonstram os gráficos de evolução. Algumas profissões evoluem mais no SUS que na SS, outras o inverso ... esta evolui proporcionalmente “bastante nos dois lados”.

Tem um filme antigo, Crocodilo Dundee, em que em uma cena “a mocinha” (Sue) comentou com “o mocinho” (Dundee) sobre consultas com seu analista, e ele questionou se “não tinha amigos”:

·         Por alguma razão que não consigo explicar, isso foi emblemático para mim, a ponto de anos a anos após ver o filme, a cena não se apagar da memória;

·         O fato é que ela vivia em uma grande metrópole ... vida estressada ... vida em que as relações pessoais e de amizade são mínimas ... insignificantes ... “qualquer coisinha” termina um relacionamento;

·         Já ele vivia em um povoado Australiano, onde as mesmas pessoas se relacionam a vida inteira ... brigam e fazem as pazes ... vivem entre “tapas e beijos”.

No cenário dele, com relações duradouras e ambientes de vida menos complexos, os amigos realmente ajudam as pessoas a enfrentarem os desafios da vida.

No cenário dela, com tanta complexidade nas relações pessoais e de trabalho, surge a demanda de um profissional.

Por isso os números da evolução dos postos de trabalho do gráfico são tão impressionantes:

·         Tanto na saúde suplementar, povoada por pessoas que tem uma atividade profissional mais complexa ... vamos lembrar que 80 % das pessoas que têm planos de saúde são de planos coletivos ... funcionários de empresas;

·         Como no SUS, povoada por pessoas que tem uma rotina social extremamente desgastante com dificuldades para custear transporte, alimentação, vestuário ... para custear coisas básicas ... “nas mãos de Deus” !

 

Se observarmos a distribuição de psicólogos por Unidade Federativa no Brasil vamos concluir algo muito interessante:

·         No SUS, que tem obrigação constitucional de ofertar estes profissionais no ambiente de saúde, temos mais profissionais proporcionalmente nas UFs que tem mais verba orçamentária ... as que têm proporcionalmente menos recursos, é claro, privilegiam o aporte do que tem em tratamentos mais “urgenciados” do que eletivos ... psicologia, na maioria dos casos, é “muito mais eletivo que urgente”;

·         Na saúde suplementar esta tendência não se verifica. Como psicologia é “procedimento” remunerado, que está no Rol da ANS e é demandado em cenários onde o psicólogo é figura central nos tratamentos (ex: transtornos mentais, ABA ...), a distribuição proporcional pelo território nacional é mais equilibrada.

Isso falando só da área da saúde:

·         Vamos lembrar que temos psicólogos atuando em esportes, em RH de empresas, nas artes ... em todo o canto !

·         É difícil imaginar um segmento da economia que não demande psicólogo;

·         Somente a área da saúde gerando quase 150 mil postos de trabalho !

·         Para ter a dimensão desse número, quase 95 % das cidades do Brasil não têm 150 mil habitantes !!

 

 

No SUS temos uma maioria absoluta de psicólogos alocados em empregos públicos:

·         Muito maior que temporários e autônomos;

·         E com uma quantidade importante de voluntários !

 

 

Muito diferente da saúde suplementar onde “reinam” os vínculos como empreendedores:

·         Uma minoria de celetistas;

·         E, tal qual no SUS, uma quantidade importante de voluntários.

 

 

Com tamanha diversidade de atuação, o psicólogo ainda tem poucas “especialidades oficiais”:

·         Atuar em no programa de tratamento ABA, por exemplo, requereria um CBO específico ...

·         ... especializado em “álcool e drogas” também !

·         E “por aí vai” !!

São diversas ... muito diferentes ... as especializações do psicólogo “na vida real” ... muito diferentes do que a gente encontra na tabela de CBOs.

Fato, também, é que não existe nada que sinalize uma tendência de “descomplicação” da vida das pessoas:

·         Para pessoas da minha idade, o mundo “se complicou à toa”;

·         A tecnologia nos trouxe muita coisa boa ... simplificou muitas coisas ...

·         ... mas ... e tudo tem um mas, não é verdade ! ... complicou e muito um monte de coisas ...

·         ... e afastou muito as pessoas do convívio pessoal, onde “o olho no olho” explica mais do que “um milhão de palavras”.

Se Crocodilo Dundee tivesse virado uma série ... bem que poderia, não é mesmo ... tenho certeza de que após ter “se mudado para a cidade grande” estaria fazendo uso de um analista, inclusive para lidar com o relacionamento com a sua amada:

·         Porque sair de uma cidadezinha e ir morar numa metrópole é “se complicar na vida”;

·         E quanta gente no Brasil não faz isso ?

·         Sai da cidade pequena, vem para a grande, e passa o resto da vida tendo como sonho voltar para o lugar de onde veio !

Enquanto este “sonho” de voltar a viver em um lugar com qualidade de vida não se realiza, se não tiver “amigos de verdade” para “amparar a angústia”, um psicólogo “cai bem” !!

Necessitando informações ou estudos macroeconômicos que incluem inclusive dados demográficos sobre profissões na saúde, consulte a página Geografia Econômica da Saúde no Brasil     www.gesb.net.br    , ou     contato@escepti.com.br

 

Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP

Histórico Profissional

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado