Indicadores Hospitalares em Rede Própria de Operadora de Planos de Saúde
0477 – 11/06/2026
Ref.: Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil
Evolução e distribuição dos leitos ilustra a luta da gestão da saúde pelo controle de custos
(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti
O tempo vai passando e eu vou colecionando honrarias e privilégios: agora também uma assessoria para auxiliar na implantação do projeto institucional da Unimed do Brasil de indicadores hospitalares de custos na rede própria.
Neste momento o foco está nos indicadores dos “hospitais próprios”, e desenvolve indicadores que permitem benchmarkings tanto de características assistenciais, como de custos hospitalares, para benefício dos administradores hospitalares !
O Sistema Unimed tem algumas características únicas que possibilitam as operadoras vinculadas a compararem não somente, por exemplo, a gestão da sinistralidade dos planos, que “é coisa” do âmbito das operadoras como, por exemplo, custos hospitalares, que “é coisa” tanto do âmbito da rentabilidade da operadora, como do âmbito da própria sustentabilidade do serviço de rede própria, neste caso, dos hospitais da Unimed.
Como são centenas de hospitais, e inseridos em um cenário específico em que a mantenedora é a operadora ...
· ... a mantenedora não um grupo de acionistas de hospitais e redes ...
· ... e não em cenários que misturam de forma muito significativa SUS e Saúde Suplementar ...
· ... e não em cenários que misturam empresas com e sem fins lucrativos ...
· ... o Sistema Unimed possibilita aos gestores desses hospitais um benchmarking de altíssima qualidade no sentido de comparar “laranja com laranja” ... sem comparar “laranja com banana”.
Se é que me entende:
· Falar que analisar indicadores da ANS sobre glosas, em um sistema onde não conseguimos aplicar filtros adequados para saber se é minimamente adequado comparar com os indicadores que temos sempre me rendeu / rende muitas críticas ... mas é absoluta verdade: os “indicadores médios” de glosas da ANS “na média não servem para nada”. Sem conseguir nem mesmo separar contas de serviços de rede própria da operadora com as de rede credenciada é absolutamente inútil !
· Da mesma forma, comparar indicadores de um hospital com os “indicadores médios” que existem em páginas de associações de hospitais, sem poder aplicar filtros adequados, “na média não servem para nada”. Voce compara indicador de um centro cirúrgico que tem RPA com médias de centros cirúrgicos que têm ou não ... compara indicadores de UTI que recebem pacientes diretamente do CC sem passar pela RPA com indicadores de UTI de pacientes que em sua maioria vem de síndromes respiratórias sem passar por cirurgia ... dizer que a comparação é de banana com laranja é até elogio ... a comparação é absolutamente “nada a ver” !
· Este projeto da Unimed está possibilitando aos gestores hospitalares da rede própria não “cair nessa armadilha” ... isso é um dos principais fatores motivadores !
Entre as dezenas de indicadores hospitalares que estão compondo o escopo deste projeto, evidentemente o custo do leito é um dos que não poderiam deixar de estar inseridos.
Sem entrar no mérito dos detalhes do projeto da Unimed, afinal, são dados sensíveis e vinculados a um investimento que naturalmente deve ser merecidamente protegido, dá para ilustrar este texto com indicadores gerais e reais de evolução de distribuição de leitos no Brasil, para associar como é vital a gestão de indicadores para o controle de custos tanto na saúde pública como na privada.
Iniciando com o gráfico que demonstra a evolução geral de número de leitos do SUS e da Saúde Suplementar no Brasil entre 2017 e 2026:
· Crescimento de ~14 % no SUS, considerando a obrigação do governo em prover internação para um crescimento populacional muito inferior a este, é de se comemorar, não é verdade ?
· E crescimento de ~25 % na SS, demonstrando que o “negócio hospitalar” é gigante se considerarmos que o volume de beneficiários de planos de saúde neste mesmo período foi “ridículo” comparado a este índice;
· Graças a Deus, para uma pessoa que fez sua primeira pós em administração hospitalar, mercado de trabalho não tem sido problema ... os administradores hospitalares podem não ter enriquecido proporcionalmente 25 % no período, mas reclamar que não tem trabalho ... que não tem campo de trabalho ... “isso não né” !

Tivemos crescimento de ~14 % nos “leitos convencionais” ... os “não UTI”:
· E tivemos um “absurdo” crescimento de ~62 % nos leitos tipo UTI;
· Esses números demonstram como indicadores hospitalares são vitais para o planejamento na saúde;
· Levando a prosa para uma operadora: ela teve obrigatoriamente que credenciar, ou criar leitos próprios, de UTI em um “ritmo alucinante” no período.
E não se trata de uma necessidade temporária:
· Tivemos necessidade de acelerar o crescimento de leitos de UTI na pandemia;
· Lembrar que nos anos do olho do furacão da pandemia implantamos “hospitais de campanha de UTI às pressas”, ao mesmo tempo que expandíamos os leitos de UTI permanentes;
· Os de campanha foram “desmobilizados” – mas, como demonstram os números, a maioria deles “veio para ficar” !

E não é somente no SUS, ou somente na SS, como demonstram os gráficos:
· A evolução “exacerbada” do volume de leitos de UTI vem da necessidade de alinhar os recursos de internação à mudança do perfil epidemiológico da população;
· Que não se limita somente ao envelhecimento da população, que é um fator importante, mas não é o único como teimam em ser “cantado em verso e prosa” por algumas pessoas;
· Os recursos para diagnósticos avançam, graças a Deus, permitindo mapear doenças que antes não eram mapeadas, e permitindo diagnosticar a doença antes que ela não tenha mais tempo para ser tratada;
· No interior a gente brinca que no passado nosso pais morriam de trauma, de “mau olhado” e outras doenças que eram diagnosticadas em “exames de fezes” ... hoje morremos em decorrência de “alguma síndrome” que a gente nem sabe pronunciar o nome, e que passou a ser diagnosticada em exames de sangue há apenas alguns anos ... hoje, se a gente tem que se policiar para saber se a doença atribuída a uma pessoa é verdadeira “ou golpe de rede social de algum influenciador que quer aparecer” !
A melhoria do diagnóstico é a principal causa do aumento da sinistralidade das operadoras de planos de saúde ... um grande desafio para as operadoras, é claro, mas “graças a Deus” para nós seres humanos !!!!!!
Isso, evidentemente, muda a necessidade de tipos de leitos mais especializados que tínhamos antes ... e leitos tipo UTI é um deles, como demonstram os indicadores.
Diagnosticamos hoje doenças que nem estavam “no calendário” de observação dos médicos há poucos anos – e temos a possibilidade de colocar na UTI um paciente grave para tratar e curar, que antes era “regulado” para cuidados paliativos de modo a “ter uma boa hora”, se é que me entende também !!

Como planejar adequadamente a distribuição dos recursos do SUS, sem avaliar indicadores hospitalares ?
· Como definir o preço dos planos de saúde nas operadoras sem avaliar indicadores hospitalares ?
· Como planejar ensino na saúde sem avaliar indicadores hospitalares ?
· Se tiver uma alternativa para isso que possa ignorar a necessidade de avaliar indicadores “do equipamento” de saúde mais caro ... onde acontecem os procedimentos mais caros ... me ensine, por favor !!
Os gráficos demonstram que não existe nada na tendência que possa sinalizar que o crescimento dos leitos vai estagnar nos próximos anos:
· Seja no SUS, seja na SS;
· Sejam leitos de UTI, sejam os demais;
· E, lembrando o que é importantíssimo ressaltar, que ocorre em um mercado onde o “volume de clientes” ... os pacientes ... este sim, está estagnado no Brasil já há alguns anos !

Este projeto da Unimed do Brasil é motivador para mim particularmente porque é “de âmbito nacional”:
· Não vivemos na Grã-Bretanha onde as diferenças regionais se resumem ao “gosto pelo chá ou pelo Scotch”;
· Se é que me entende, nossas diferenças são absurdamente gigantes nas Regiões N, S, SD, CO e NE;
· Temos microrregiões que se equiparam as “nobres” regiões da Inglaterra, e que se equiparam as mais necessitadas regiões da África;
· Uma coisa é discutir indicadores hospitalares na região Metropolitana de Curitiba, outra é discutir no Triângulo Mineiro, outra é discutir no Acre;
· Estar em um projeto que ... que estou vendo, que ninguém está me contando ... que está considerando estratificações que permitem comparar laranja com laranja é “muito motivador”.
Observando a tabela:
· Ela demonstra a distribuição de leitos per capita pelas UFs do Brasil;
· Tanto no SUS como na SS, as variações são gigantes !
· Observar os indicadores e estudar porque eles são diferentes ... porque necessariamente serão diferentes dependendo dos cenários da Geografia Econômica da Saúde de cada um é fundamental para “planejar saúde”.
Lido com a Geografia Econômica da Saúde desde que fiz uma especialização em Epidemiologia Hospitalar na FGV:
· Aprendi com mestres ... chamá-los simplesmente de professores (que são) é muito pouco ! ... aprendi com eles o gosto pela interpretação isenta dos dados;
· Quando fiz esta especialização, o planejamento da saúde era muito trabalhoso ... não existia nem Internet ... caramba: como mudou só mesmo quem viveu o antes e o depois da Internet pode entender !!!
· Hoje temos uma infinidade de dados “num piscar de olhos”;
· Podemos planejar de forma muito mais segura ... com muito mais assertividade.
Este projeto da Unimed Nacional que, é claro, tem como “pano de fundo” avaliar a padronização da qualidade assistencial e da gestão de custos, fundamentais para a entrega de um produto com qualidade com o menor curso possível, é fundamental “lá na ponta” para o gestor hospitalar da rede própria ter visibilidade sobre a sua gestão, que afeta significativamente os objetivos “do pano de fundo”.
É um grande prazer poder contribuir de alguma forma porque no final da cadeia de valores está sempre o beneficiário do plano ... o paciente ... aquele que necessita da melhor qualidade possível, e do menor preço possível, para acesso aos recursos da saúde ! ... tanto que este projeto está no âmbito de um grupo que trata de Valor em Saúde !!!
E tem tudo para dar os resultados planejados, afinal de contas, diferente daquela época da minha especialização em epidemiologia hospitalar, hoje temos muitos recursos tecnológicos e toda a informação que necessitamos “na palma da mão”.
Na verdade nem cabem na pala da mão – minha pequena contribuição para o projeto tem como objetivo escolher no meio de tanta informação que a gente tem sobre indicadores hospitalares, os que devem ficar na palma da mão para que a gente não perca o foco do que é mais importante na gestão de custos, sem abrir mão da qualidade assistencial, nos hospitais.
Necessitando de assessoria especializada em
· Gestão de Indicadores Hospitalares consultar http://www.escepti.com.br/Ass/IND
· Gestão de Custos Hospitalares, consultar http://www.escepti.com.br/Ass/CST
Sobre o autor Enio Jorge Salu
CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
· Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP
Histórico Profissional
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado