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Tendências dos players da saúde suplementar regulada pela ANS

0484 – 20/07/2026

Ref.: Consultoria Especializada, Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Para os gestores da saúde suplementar o mercado se torna cada vez mais desafiador ... e fascinante !

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

Há 20 anos quando abri minha empresa de consultoria tinha algumas certezas de que haveria muito trabalho para gestores na área da saúde ... e para consultores. Uma delas é que existiam “convênios” demais para o que o mercado da saúde suplementar poderia suportar.

Tinha outras certezas, algumas que se concretizaram e outras não ... mas especificamente essa “estava mais do que na cara”:

·         Era comum ver no hospital em que atuava “dois ou três” médicos procurando a alta gestão para oferecer os planos da sua medicina de grupo;

·         E alguns que nem tinham “aberto” a operadora ainda, “assuntando” como os contratos eram feitos, os preços dos procedimentos ... a dinâmica do mercado ...

·         Estes anos entre “o começo do século” e o 2005 em que abri minha consultoria foram marcados por uma enorme quantidade de operadoras “pouquíssimo profissionalizadas”, muitas delas “nascidas para morrer”, como se diz quando a gente tem um “7 de ouro” no truco e é o primeiro a mostrar a carta, se é que me entende !

·         Algumas delas a gente não se perguntava se ela ia fechar ... a questão não era “se” ela ia fechar ... a questão era “quando” ela ia fechar !

O gráfico demonstra esta evolução do mercado de forma “bem macro”:

·         Até 2010 o mercado “foi enxugando” absurdamente, reduzindo a quantidade de operadoras existentes;

·         Mesmo que neste período em que o mercado de planos de saúde odontológicos não era forte ainda ... mesmo a quantidade de operadoras de planos exclusivamente odontológicos sendo menor ... houve um “enxugamento” nelas também !

A partir de 2010 a concentração do mercado de operadoras foi reduzindo de ritmo:

·         Continuou reduzindo, mas em ritmo muito menor, até a “quase estabilização atual que vivemos”, um pouco antes do início da pandemia;

·         Mas neste período o mercado da saúde suplementar mostrou a força de um novo ator, que “explodiu” de crescimento, e ainda continua em ritmo “meio frenético”: as administradoras de planos de saúde.

Para quem gosta de gestão em saúde, esta análise “lendária” é emblemática, e mais do que necessária para definir objetivos estratégicos de quem atua na saúde suplementar:

·         Infelizmente ainda conheço pessoas que atuam na alta gestão de empresas gigantes no segmento que continuam direcionando suas empresas para o cenário de 10, 15, 20 anos ...

·         ... dizendo ter muita experiência ... e tratando o mercado que a gente vê “na ponta direita” da figura como se ainda fosse o mesmo do “centroavante” da figura ... nada a ver !

·         Por mais que a gente tente demonstrar que o mercado atual mudou completamente ... acaba sendo perda de tempo para alguns gestores que teimam em não se adaptar ... uma pena !!

 

 

Este gráfico “fantástico” demonstra algo que pode mudar o conceito que algumas pessoas têm do mercado dos últimos 6 anos do início da pandemia:

·         O mercado de operadoras encolhe, mas muito discretamente, e não da forma como as pessoas imaginam apenas com operadoras “fechando as portas” ... temos descredenciamentos sim, mas continuamos tendo novos credenciamentos;

·         Quem atua na área comercial de hospitais, por exemplo, tem que ficar atento ao “parto” de novas operadoras ... afinal, chegar “nas recém-nascidas” antes do concorrente é fundamental para uma boa negociação ... para estabelecer uma boa parceria ... não é verdade ?

·         E o mercado de administradoras cresce, e cresce muito, mas não da forma como as pessoas imaginam que só temos novas, sem o desaparecimento de algumas ... temos credenciamentos sim, e proporcionalmente muitos, mas temos descredenciamentos também, e também proporcionalmente significativos.

O mercado “empresarial” na saúde suplementar é muito dinâmico ... um “organismo vivo” que está mais próximo do que o mercado necessita hoje do que antes, mas ainda está longe da saturação de movimentações.

Graças a Deus, é um “mercado vivo”, que ainda explora as oportunidades que a saúde suplementar oferece, e oferece oportunidades para profissionais que atuam na gestão da saúde privada.

 

 

Um mercado que, nos últimos anos, está demonstrando estabilização tanto em relação as operadoras com fins lucrativos como para as sem fins lucrativos:

·         Se enganam as pessoas que pensam que as sem fins lucrativos “estão com os dias contados”;

·         Apesar de se constituírem em um volume menor que as com fins lucrativos, e isso sempre foi assim, proporcionalmente estão reduzindo no mercado mais as operadoras com fins lucrativos do que as sem fins lucrativos;

·         E como o gráfico demonstra, seja comparando o total de operadoras com fins lucrativos incluindo as exclusivamente odontológicas, seja comparando apenas as operadoras com fins lucrativos de assistência médica e odontológica.

Particularmente tenho relacionamento próximo de duas sem-fins lucrativos em que a última coisa que passa pela cabeça dos dirigentes é a sua extinção ... muito pelo contrário ... com as recentes resoluções da ANS relacionadas a elas, a “palavra de ordem” é expandir !!

A palavra de ordem é “aproveitar” a normativa de mais ou menos um ano que abriu portas para a expansão das autogestões.

 

 

O gráfico demonstra que entre as operadoras com fins lucrativos, que “pelejam acirradamente” pelo mercado ... concorrem “ferrenhamente” pelo mercado:

·         Em relação a quantidade de operadoras ativas está bem estabilizado há 10 anos;

·         Após o enxugamento, mais do que necessário, das medicinas de grupo, os volumes totais por cada uma das três modalidades estão “irritantemente” muito estáveis, demonstrando que o mercado vai naturalmente limitando a quantidade de “players”.

 

 

Até mesmo o volume de administradoras de benefícios que cresceu exacerbadamente nos últimos 15 anos já demonstra ir se amoldando a uma provável estabilidade, se novas resoluções da ANS não vierem para mudar o cenário:

·         Novas aparecem, algumas fecham, o volume cresce ...

·         ... mas não cresce mais no ritmo que crescia antes !

 

 

Como demonstram os gráficos das operadoras sem fins lucrativos:

·         Filantropias são em volume “quase a mesma coisa” há alguns anos ... autogestões com redução quase insignificante em relação ao total;

·         Prova de que proporcionalmente a redução das sem-fins lucrativos é menor do que as com fins lucrativos;

·         Exatamente o contrário do que pensam e dizem muita gente !!

 

 

Das com fins lucrativos:

·         Seguradoras definitivamente “pegaram aversão” a área da saúde há anos. Faz muuuuuiiiito tempo que as seguradoras não se interessam pelo mercado da saúde. As que estão ... estão ... e uma ou outra nova aparece milagrosamente ... mas no Brasil as seguradoras se interessam mais por seguro de carro, de incêndio, de notebook ... coisas que oferecem menos risco ... preferem fazer seguro de celular que é a coisa “mais roubada que existe” do que fazerem seguro na área da saúde: é mole ? É necessário citar também que a regulação da ANS não é adequada para as seguradoras ... é mais adequada para os outros tipos de modalidades !

·         Medicinas de grupo após o enxugamento já se apresentam com volume estável ... ainda reduzindo, mas proporcionalmente muito menor que antes;

·         E cooperativas médicas que sempre demonstraram estabilidade e “parcimônia” na expansão, continuam na “mesma toada”: uma redução de volume quase insignificante ! Existem fatores que favorecem a expansão das cooperativas no futuro ... e nenhum fator significativo que desfavoreça a existência delas !!

 

 

Nas exclusivamente odontológicas temos a maior proporção de redução:

·         Nos últimos anos uma redução bem menor, é verdade;

·         Mas ao longo do tempo a “investida” das operadoras de assistência médica no mercado odontológico inviabilizou muitas pequenas exclusivamente odontológicas regionais;

·         Reduziram proporcionalmente mais as odontologias de grupo do que as cooperativas odontológicas ...

·         ... odontologia de grupo, como as medicinas de grupo, estavam em número absolutamente incompatível com o tamanho do mercado há 20 anos ... era necessário o enxugamento ... e o mercado naturalmente forçou isso !

 

 

“Pegando o gancho” das cooperativas odontológicas:

·         O gráfico demonstra a evolução adas cooperativas, somando as médicas e as odontológicas;

·         Demonstra, entre todos os gráficos, o mais estável no sentido de existir o menor enxugamento, e a maior estabilidade nos últimos anos.

Não sei de onde algumas pessoas “cismam” em dizer que as cooperativas estão todas falidas !!!!!

Pessoas que não conhecem o cooperativismo e “vibram” quando surgem notícias da dificuldade financeira de uma ou outra, generalizando para todas ... um absurdo !

Não sabemos “quem vai estar concorrendo” no mercado da saúde suplementar daqui a 20 ou 30 anos, porque a regulação ainda é muito insólita e sensível a politização:

·         Se uma nova regulação vai permitir que administradoras tenham beneficiários ...

·         ... se cartões de desconto vão “roubar” o mercado e competir abertamente contra operadoras ...

·         ... o mercado futuro é muito difícil de ser previsto em um cenário de regulação da ANS que, evidentemente, tem muito de político ... aliás, se uma agência governamental não for política, quem seria ?

·         Em um mercado onde a política pode interferir significativamente, como é o caso da saúde privada, tudo pode acontecer !

Mas como quando abri minha consultoria e previ que o mercado estava saturado, arrisco a fazer uma previsão, correndo o risco de errar, é claro: no mercado futuro dois dos atores que vão “perseverar às tempestades” certamente serão as cooperativas médicas e as cooperativas odontológicas.

A previsão não é um “palpite da loteria” ... é baseado na lógica:

·         As cooperativas têm se adaptado às mudanças de cenário porque o dono delas é o próprio profissional assistencial, de um produto que é saúde;

·         Médicos são os donos das cooperativas médicas ... dentistas são os donos das cooperativas odontológicas;

·         Em meio a todas as dificuldades regulatórias, em toda a complexidade de gerir a cooperativa, a operadora, o serviço de saúde da rede própria ... em meio a tudo isso são eles mesmos que fazem a cirurgia, implantam a prótese, fazem o parto, fazem a restauração ...

·         Não são simples intermediários que necessitam negociar com eles para saber o que pode ser incorporado ao modelo de negócios ou não ... esta é a lógica !

E em meio a tudo isso ... a todos esses gráficos e números ... sempre me considero um afortunado por estar tendo a oportunidade de ser um expectador e de alguma forma contribuir ... contribuir de forma absolutamente insignificante, mas contribuir ... com o desenvolvimento e a profissionalização do segmento.

Me sinto privilegiado em ser um observador que atua profissionalmente com operadoras e serviços de saúde, observando o que acontece em projetos e não apenas lendo notícias ... um grande privilégio !

Em um segmento importantíssimo da economia e fundamental para a população !

Necessitando informações ou estudos macroeconômicos que incluem inclusive dados demográficos sobre profissões na saúde, consulte a página Geografia Econômica da Saúde no Brasil     www.gesb.net.br    , ou     contato@escepti.com.br

Na página existem dezenas de tabelas e gráficos sobre saúde suplementar !

Necessitando de assessoria especializada em planejamento em saúde consulte a página  www.escepti.com.br    , ou   contato@escepti.com.br

 

Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP

Histórico Profissional

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado