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Mudanças epidemiológicas modificando a relação entre tipos de leitos

0485 – 27/07/2026

Ref.: Consultoria Especializada, Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Proporção entre os tipos de leitos do passado, presente e futuro, diferentes como só poderiam ser

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

É bem comum quando trabalhamos custos hospitalares entendermos como “a arquitetura” hospitalar influencia na produtividade, e consequentemente nos custos e rentabilidade hospitalar.

Trabalhando com gestão de custos hospitalares há décadas pude acompanhar a mudança na evolução da proporcionalidade entre os vários tipos de leitos que existem, conforme os processos e estruturas organizacionais foram evoluindo, e como os edifícios hospitalares mais antigos têm mais dificuldade de se adaptarem a nova dinâmica de atendimento nas internações.

É fácil ver, pelos números, como edifícios hospitalares antigos têm dificuldade em se adaptarem às novas tecnologias e processos assistenciais, impostos pelas mudanças na epidemiologia hospitalar, reduzindo assim a eficiência, efetividade e eficácia, e consequentemente fazendo com que os custos hospitalares de edificações antigas sejam maiores do que as projetadas para “o novo normal”.

Que fique muito claro uma coisa: os edifícios hospitalares mais antigos são lindos ... não canso de admirar os detalhes da arquitetura hospitalar do meio do século passado ... “obras de arte” no mais puro significado da palavra. É inconcebível pensar em destruir vários patrimônios históricos. E é claro que podemos adaptar processos “mais modernos” a arquitetura mais antiga sem prejudicar essencialmente os custos. O que se coloca aqui é simplesmente a constatação de que processos hospitalares “mais contemporâneos” se alinham mais em infraestruturas que foram desenhadas pensando na forma como os pacientes são atendidos atualmente, que é uma forma diferente da forma como os pacientes eram atendidos no passado ... apenas isso !

E, também, analisando indicadores de mercado isso fica muito evidente:

·         Tipos de leitos hospitalares, por exemplo !

·         A proporção entre tipos de leitos em um hospital vai se modificando;

·         Os hospitais vão se adaptando as novas demandas, e isso vai se refletindo na oferta dos tipos de leitos ao mercado.

Começando pelo gráfico acima – ele demonstra a evolução da relação entre a quantidade de leitos que não são do tipo UTI e os leitos que são do tipo UTI no Brasil entre 2019 e 2025:

·         Observamos que em 2019, no SUS, para cada leito tipo UTI havia 12,5 leitos não UTI;

·         E ao final de 2025, para cada leito tipo UTI havia 9,9 leitos não UTI;

·         Esta queda de ~26 %, além do que vem imediatamente a mente que remete ao fato do aumento do custo da infraestrutura hospitalar por leito, para quem conhece hospitais, remete a outro aspecto não menos importante que significa que dentro da estrutura hospitalar os processos de atendimento vão se tornando cada vez mais críticos;

·         Não somente o que vem imediatamente a mente no sentido de que os pacientes que estão sendo tratados estão sendo internados com quadros cada vez mais graves que antes e consumindo mais insumos assistenciais, o que aumenta o custo;

·         Mas também, que processos considerados “mais simples”, como por exemplo disponibilizar energia elétrica sem interrupção, é mais crítico do que antes, e isso também encarece o custo.

Nós “estamos falando” de um período de apenas 7 anos ... apenas isso !

É fácil entender, como estas mudanças interferem nos custos hospitalares:

·         Se o paciente está em um leito convencional ou de UTI, a energia elétrica para “deixar a luz acesa” é praticamente a mesma ... para iluminar o ambiente é praticamente a mesma;

·         A energia necessária para manter ligados os equipamentos do leito é um pouco maior na UTI do que no leito convencional, uma vez que na UTI temos mais equipamentos;

·         Mas a necessidade de ter energia 100 % do tempo em uma UTI ou em um leito convencional é completamente diferente;

·         Ou seja, se eu pensar em um grupo gerador para assumir a falha de energia, no leito convencional ele pode “até ser muito importante” no sentido de prejudicar a assistência em caso de falha não necessariamente inserindo um risco de vida para o paciente em função disso ... mas na UTI e história é diferente ... deixa de ser muito importante para ser essencial para a vida do paciente, não é verdade ?

·         Quando dimensionamos um grupo gerador em um hospital, não dimensionamos ele para que substitua a energia elétrica total do hospital ... dimensionamos para que nas áreas críticas a substituição da energia normal pela do gerador seja impecável, enquanto que para as áreas menos críticas ou não críticas, ser apenas eficiente já é suficiente;

·         E isso faz toda a diferença no dimensionamento do equipamento gerador, e na “conversa” que os processos de controle de panes tem com os processos assistenciais e de retaguarda ... aumentando custos.

Olhando a figura, se na Saúde Suplementar:

·         A relação caiu de 6,1 para 4,5 ... no SUS a queda foi de 26 % e na saúde suplementar ~35 % ... “muuuuito” maior;

·         Os hospitais que atendem saúde suplementar tiveram, por conta dessa mudança de característica nos leitos UTI e Não UTI um aporte de custos muito maior do que os hospitais que atendem pacientes do SUS em função disso !

·         Infelizmente é fácil entender com o mesmo exemplo do grupo gerador: se acaba frequentemente a luz em um leito de um hospital público “dá BO mas ninguém perde o emprego” ...

·         ... já em um hospital privado “dá reportagem no Fantástico e liberação do FGTS para o responsável sacar” !

 

 

Este gráfico demonstra a evolução % do volume de leitos de UTI em relação ao total de leitos no Brasil entre 2019 e 2025:

·         A “pressão” para o crescimento de leitos tipo UTI na saúde suplementar acontece tanto no SUS como na saúde suplementar ... mas a pressão na SS é muito maior !

·         Os custos hospitalares na SS têm crescido muito mais do que no SUS, e “a inclinação da linha laranja, muito mais empinada que a linha azul” sinaliza que não existe nenhum sinal de que esta tendência esteja próxima de se modificar.

Se “não caiu a ficha ainda”: a sinistralidade das operadoras naturalmente acompanha esta evolução de custos !

Ainda não inventaram nada que possa mitigar o aumento de custos em planos de saúde que não seja aumentar o preço pago pelo beneficiário pelo plano para a operadora: a medicina avançou muito, mas ainda não consegue “fazer este milagre específico” de não repassar o custo da sinistralidade para quem paga pelo plano !

Como a verticalização nas operadoras é fato há alguns anos, e isso inclui a grande expansão de hospitais próprios, a necessidade das operadoras colocarem na agenda uma eficiente gestão de custos hospitalares é fundamental:

·         Vamos lembrar que “no final da linha” o custo do hospital não vinculado a operadora acaba sendo financiado por quem paga a conta ... a operadora ... que depois repassa para o contratante do plano ...

·         ... mas no caso das operadoras, o custo do hospital próprio vai totalmente na conta da sinistralidade, que reduz a rentabilidade da operadora ... que depois repassa para o contratante do plano;

·         O contratante do plano, seja a pessoa física que compra o plano individual, seja a empresa que compra o plano coletivo, paga este aumento de custo hospitalar, que é uma parcela importantíssima da inflação do preço do plano !

Entrei na área da saúde em hospital:

·         Fiquei “internado” como executivo no Hospital Sírio Libanês por 12 anos ... operadora estava do outro lado da mesa;

·         Hoje cerca de metade da minha atividade profissional está em hospital e metade em operadoras de planos de saúde;

·         Sempre tendo hospital como pano de fundo ... na gestão dos custos e do ciclo de receitas ... que é tão importante para o hospital se rentabilizar, como para a operadora !

 

 

 

A ilustração dos leitos UTI e não UTI é “um dos olhares” que a gente pode ter sobre a questão dos tipos de leitos:

·         A tabela demonstra a evolução dos tipos de leitos mais detalhadamente;

·         Não são apenas UTI e não UTI ... temos diversos tipos;

·         Observar estes indicadores avaliando se vale a pena intensificar os leitos especializados para partos ou para traumas, dependendo da epidemiologia que existe em cada cenário é importantíssimo;

·         Vemos na tabela que a evolução dos tipos varia da água para o vinho no Brasil, e é evidente que em cada “pedacinho do Brasil” existem condições epidemiológicas que fazem com que a Geografia Econômica da Saúde da região específica que reveste o hospital deve ser analisada para que o dimensionamento dos leitos seja o mais adequado.

Para que o custo hospitalar seja o menor possível na condição específica em que ele se insere.

E isso é desafiador ... e isso é fantástico !

Quando fiz minha “primeira pós”, de Administração Hospitalar na USP, meu mestre Gonzalo Vecina deu um TCC que era para dimensionar um hospital avaliando informações que tínhamos nos municípios de Londrina e Tamarana !

·         Naquela época, com pouquíssima informação na Internet ... sem os “zilhões” de dados que temos hoje disponíveis do DATASUS ... SIH, SIA, CNES, ANS ... era terrível fazer isso ... quem é mais jovem não tem a menor noção do que era fazer isso antes da “popularização da Internet” e do avanço dos sistemas de informação em saúde que temos no Brasil, especialmente relacionados ao SUS;

·         A qualidade dos indicadores era “mais discutível do que a escalação da seleção brasileira”, se é que me entende !

·         “Ajoelhamos no milho” para fazer o trabalho, demoramos semanas para coletar dados, e ouvimos “um monte dele” quando apresentamos, se é que me entende também !

·         Apesar de ter sido com emoção, guardo com muito carinho, porque a dificuldade abriu as portas para o interesse em desenvolver o assunto ... fazer “outras pós” ... e continuar atuando no segmento até hoje ... e, se Deus quiser, continuar atuando por algum tempo ainda !

Hoje temos informações em segundos que se tivéssemos na época “a nota do trabalho certamente seria outra” !

Necessitando de assessoria especializada em

·         Gestão de Indicadores Hospitalares consultar  http://www.escepti.com.br/Ass/IND

·         Gestão de Custos Hospitalares, consultar  http://www.escepti.com.br/Ass/CST 

·         ou      contato@escepti.com.br

 

Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP

Histórico Profissional

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado