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Maiores Operadoras de Planos por Beneficiários de Assistência Odontológica

0488 – 06/08/2026

Ref.: Consultoria Especializada, Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Operadoras de Assistência Médica Protagonizando o Mercado que era das Exclusivamente Odontológicas

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

Há mais ou menos 13 anos estive em uma das maiores operadoras de planos de saúde de assistência médica do Brasil em uma visita de aproximação entre as áreas de credenciamento dela com a área comercial de um dos maiores hospitais do Brasil.

O assunto era assistência médica, mas pude notar que a operadora estava com uma forte movimentação de expansão da carteira de beneficiários de planos odontológicos. Como o hospital tinha uma forte ligação com uma faculdade de odontologia, porque estava desenvolvendo a especialização de cirurgias “buco maxilo”, acabei aproveitando para “costurar” comercialmente uma forma do hospital virar referência para a operadora, e “meio que de quebra” acabei facilitando a aproximação de um amigo, dentista, que tinha uma empresa de auditoria de contas, com eles.

Um diretor da operadora, nunca me esqueço, comentou “é uma pena que a rentabilidade individual do plano odontológico é tão pequena, porque a margem é excelente !” ... e fiquei com a impressão de que mais operadoras de assistência médica poderiam começar a “atacar” o mercado da mesma forma que eles.

Mas nem desconfiei que, já naquela época, outras operadoras de planos de assistência médica estavam “tramando a protagonização” do mercado de assistência odontológica ... mais do que atuar no mercado, protagonizar o mercado !

O protagonismo, para mim, aconteceu bem rapidamente e, pelos gráficos, é possível constatar que as operadoras de planos de assistência médica, que também vendem odontologia, já “dominaram” o mercado. Existem mais beneficiários de planos odontológicos em operadoras de assistência médica do que existem nas operadoras de planos exclusivamente odontológicos.

Evidentemente os mercados em que as operadoras atuam é muito diferente ... as modalidades de operadoras definem objetivos sociais muito diferentes ... e seria um “grande pecado” construir rankings das maiores operadoras que existem segundo a quantidade de beneficiários de planos odontológicos misturando todas elas.

Podemos criar rankings por modalidade, e discutir dentro de cada cenário, o papel das gigantes, em um mercado definido por uma infinidade de operadoras de pequeno porte.

Os rankings aqui descrevem apenas as 20 maiores de cada modalidade ... os rankings completos estão disponíveis na página Geografia Econômica da Saúde no Brasil ... www.gesb.net.br ... o acesso é gratuito e não necessita de login e senha !

 

 

Iniciando pelas autogestões, o benefício plano odontológico ainda não entrou na agenda da área de benefícios das mantenedoras das autogestões:

·         A proporção entre os beneficiários de planos odontológicos e os de planos de assistência médica ainda é praticamente insignificante ... o volume de beneficiários AM é muito maior que o volume de beneficiários AO;

·         Algumas autogestões gigantes nem entram no ranking ... nem neste ranking das 20, nem no ranking amplo que está na página Geografia Econômica da Saúde no Brasil !

Uma das razões é que algumas das mantenedoras possuem áreas de assistência odontológica próprias de excelente qualidade:

·         Não necessitam dar este benefício adicional;

·         Muitas delas, se dessem, estariam substituindo uma cobertura e qualidade assistencial odontológica de maior qualidade por uma de menor qualidade, ou pelo menos, de qualidade assistencial discutível.

Como “o dono dessas operadoras” na essência é o próprio beneficiário ... o funcionário da mantenedora ... não existe alguma razão muito evidente, pelo menos por enquanto, para que essa tendência se modifique significativamente.

Podemos “cravar” que não existem grandes estruturas para oferta de planos odontológicos nas autogestões !

 

 

As cooperativas médicas nesse assunto são “um capítulo à parte”:

·         Existe um “acordo ético” para que as cooperativas médicas, cujos donos são médicos, não invadam o mercado odontológico, que é dos dentistas;

·         Por esta razão, são poucas as operadoras desta modalidade que têm beneficiários de planos odontológicos;

·         Este ranking, com essas poucas, na verdade é o ranking amplo !

Mesmo nessas que têm odontologia no seu plano, reinam os acordos entre a cooperativa médica e a cooperativa odontológica da região, demonstrando uma “ética exemplar” entre as categorias profissionais:

·         Porque para ambas, em diversos cenários mercadológicos, não poder oferecer ao cliente final um produto que combine assistência médica e odontológica, oferecendo apenas um dos dois, acaba se configurando em um fator de “perda de competitividade” importante;

·         É provável que, em função disso, este cenário se modifique ao longo do tempo;

·         A intensificação desses acordos deverá ocorrer e, da forma como esses acordos se viabilizam, não prejudicam o dentista.

Que bom seria se no Brasil a ética fosse a regra e não a exceção ... como este cenário descreve ... que País maravilhoso teríamos !

 

 

Já no caso das cooperativas odontológicas, essa “reserva de mercado” em relação às cooperativas médicas é um dos fatores que “seguram” a clientela com elas:

·         Na verdade seguem uma tendência similar de evolução às cooperativas médicas;

·         Em um mercado que vai aos poucos sendo dominado por intermediadores, o dentista que se obriga a fazer a opção de atender operadoras de planos de saúde ... o que não consegue subsistir apenas atendendo pacientes particulares ... tem como opções ser credenciado de uma operadora, ou ser funcionário de uma operadora, ou ser cooperado de uma cooperativa odontológica;

·         E naturalmente existe uma preferência ao cooperativismo, quando é possível, porque nesse cenário, diferente dos outros dois, ele é o dono da operadora.

Nessa modalidade temos operadoras gigantes como é possível ver no ranking das 20.

Mas no ranking amplo, a predominância é o de pequenas e médias operadoras.

 

 

Como no caso das cooperativas médicas, as filantropias têm pouquíssimos beneficiários de planos odontológicos, e mesclam 3 razões principais muito evidentes para isso:

·         Algumas mantenedoras delas, como no caso das autogestões, tem serviços próprios de odontologia de excelente cobertura e qualidade;

·         Algumas delas surgiram dentro de uma Santa Casa ... de uma Beneficência Portuguesa ... de um hospital Evangélico ... o negócio dela na verdade não é operar um plano de saúde, e como são, “na raiz”, um serviço de assistência médica, não têm competência e/ou interesse em atuar em odontologia;

·         Com uma rentabilidade bruta baixa, operar planos odontológicos não auxilia significativamente na captação de recursos para auxiliar a mantenedora a viabilizar seu objetivo social.

Este ranking das raríssimas que têm beneficiários de planos odontológicos não é o das maiores ... é o ranking amplo ... de todas elas !

É pouco provável que este cenário se modifique significativamente no futuro.

 

 

As Medicinas de Grupo “atacaram” este mercado com uma “fome voraz” nos últimos anos:

·         Passaram de coadjuvantes a protagonistas do mercado, como podemos ver no ranking das maiores;

·         E  vemos que existem gigantes ... muito gigantes  diga-se de passagem ... e já no ranking das 20 maiores começam a figurar pequenas operadoras.

Este mercado é dominado por pequenas operadoras proporcionalmente de forma mais intensa que o das demais modalidades, e apresenta uma tendência de ainda maior solidificação ao longo do tempo:

·         O risco de eventos adversos em odontologia é muito pequeno quando comparado proporcionalmente com um plano de assistência médica;

·         Não é a inclusão de odontologia em uma carteira que tem assistência médica que vai aumentar a indenização e/ou a judicialização de forma significativa !

·         Isso favorece o aporte do serviço odontológico junto ao serviço de assistência médica mesmo nas operadoras de pequeno porte, que aparecem “aos montes” no ranking completo.

A tendência de “fome” das medicinas de grupo pela expansão nesse mercado continuará sendo “grande, liquida e certa” !

 

 

As odontologias de grupo, apesar de serem as que  mais sofrem com a investida das operadoras de planos de assistência médica no mercado que era delas, ainda subsistem de forma peculiar.

Primeiro porque algumas das grandes delas, como se pode ver pelo nome delas, na verdade são de mantenedoras de grupos de seguradoras e medicinas de grupo que operam planos de assistência médica, e criaram empresas específicas para operar os planos de odontologia !

Segundo porque o risco de operar uma operadora de plano odontológico é muito pequeno quando comparado com um de assistência médica:

·         O que viabiliza a existência de pequenas empresas exclusivamente de planos odontológicos;

·         O dentista vê as operadoras grandes como uma oportunidade de credenciamento ...

·         ... e vê nas pequenas uma oportunidade de empreendedorismo !

Empreendedorismo diferente da cooperativa odontológica: na cooperativa ele é um dos donos “em um grupo”, como ocorre em um condomínio ... na odontologia de grupo pode ser o dono, ou o sócio com parcela significativa de decisão !

O mercado é dominado por empresas gigantes como demonstra o ranking das 20, mas com uma infinidade de pequenas e médias como demonstra o ranking amplo, e não existe tendência de mudança significativa do cenário !

 

 

E finalmente as seguradoras com um cenário “bem peculiar”:

·         Já são poucas as seguradoras existentes ... “uma meia dúzia” !

·         E bem menos as que oferecem assistência odontológica “como seguradora”.

Como vimos nos demais rankings, algumas seguradoras criaram empresas específicas para serem classificadas como medicinas de grupo e odontologias de grupo !

Isso ocorre para aproveitar os benefícios da regulação entre ser uma seguradora, ou uma medicina de grupo, ou uma odontologia de grupo, dependendo do cenário.

Sempre me ”encanto” com a capacidade que as empresas vão tendo em buscar alternativas para a regulação, dentro “das brechas” que a regulação permite:

·         A regulação insere regras diferentes para operadoras do tipo autogestão, cooperativas médicas, cooperativas odontológicas, filantropias, medicinas de grupo, odontologias de grupo e seguradoras ... é fato;

·         Existem “nas raízes” das empresas algumas coisas que inibem a empresa de atuar como empresa com e sem fins lucrativos simultaneamente ... até existe “brecha”, mas não existe interesse, especialmente em função das regras fiscais;

·         Mas não existem regras que impeçam um grupo empresarial de atuar simultaneamente com empresas diferentes nas modalidades com fins lucrativos !

Neste cenário “dos fins lucrativos”, tirando as cooperativas, em que os grupos empresariais teriam uma enorme dificuldade de “conduzir” os negócios da forma como desejariam, atuar simultaneamente como medicina de grupo, seguradora e odontologia de grupo é algo que, ou já está na agenda do grupo empresarial, ou está em pauta, ou estará em breve ... é somente uma questão de tempo !

O que é mais do que fato observando “os players” do mercado de planos odontológicos é que “vai muito bem graças a Deus”.

Quem tem a oportunidade de trabalhar com receitas e custos de operadoras odontológicas sabe que comparado com qualquer “outro negócio” na área da saúde, é algo que tem um custo muito baixo em relação à receita ... tem coisa melhor que isso quando falamos em modelo de negócios ?

Ainda não é um produto que se incorporou totalmente na vida da maioria das pessoas que podem consumir ... mas também não tem nada que indique que não será em pouco tempo !!

Necessitando informações ou estudos macroeconômicos sobre o mercado da saúde suplementar consulte a página Geografia Econômica da Saúde no Brasil     www.gesb.net.br    , ou     contato@escepti.com.br

Necessitando capacitação no tema, consulte cursos da página   www.cpgs.net.br    , ou   contato@escepti.com.br

Necessitando de assessoria especializada em

·         Planejamento Estratégico para Empresas na Área da Saúde, incluindo estudos macroeconômicos, análise de enquadramento e reposicionamento da instituição no mercado, consulte a página  www.escepti.com.br/Ass/PLA   , ou   contato@escepti.com.br

·         Gestão de Rentabilidade e de Custos de Unidades de Negócios, consulte a página  www.escepti.com.br/Ass/RUN   , ou   contato@escepti.com.br

·         Custos por Procedimento, aplicando métodos de Custo Médio, Custo Mínimo Estimado, e Custo Unitário, consulte a página  www.escepti.com.br/Ass/CST   , ou   contato@escepti.com.br

 

Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP

Histórico Profissional

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado