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Saúde Suplementar Verticaliza AC enquanto SUS Terceiriza !

0496 – 03/09/2026

Ref.: Consultoria Especializada, Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Operadoras radicalizam a verticalização da AC buscando redução de custo, SUS terceiriza em busca de eficiência operacional

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

Nesta época de eleições a gente escuta “um milhão” de candidatos prometendo construir um hospital, uma UPA, um posto de saúde ...

·         Todos significando a verticalização do SUS;

·         Poucos prometem aumentar o credenciamento de hospitais privados e filantrópicos, e muitos não vão cumprir suas promessas, porque a maior parte da média e alta complexidade continuará a ser tratada por eles ... os privados, e não os serviços verticalizados ... no SUS;

·         Quase nenhum promete credenciar laboratórios, serviços de diagnóstico por imagem;

·         E, infelizmente, quase nenhum acaba cumprindo sua promessa de aumentar o número de serviços de saúde tipo UPA, UBS, AMA, AME, CAPS, e “cia ltda”, porque não basta levantar paredes e inaugurar para cortar a fita ... no SUS os serviços só funcionam se estiverem integrados na rede de assistência e regulação e para isso não basta a vontade de uma instância de governo para efetivamente ocorrer !

Enquanto isso a verticalização vai “comendo solta” nas operadoras ... recursos próprios proporcionalmente aumentando cada vez mais.

Neste momento que estou envolvido profissionalmente nos dois cenários ... recursos próprios de operadoras e serviços de saúde privados que atendem SUS e Saúde Suplementar ... achei oportuno comentar “um pouquinho” sobre o cenário e entendimento de como isso funciona “na vida real”.

Esta “vida de consultor” permite observar que “cláusulas pétreas” de gestão nem sempre são aderentes aos diversos cenários que a área da saúde vai moldando para viabilizar negócios e melhorar o acesso das pessoas à saúde.

Os temas custo e eficiência são um exemplo disso !

É “meio natural” que as pessoas possam pensar que se a gente consegue fazer uma coisa em larga escala, sem ter que comprar de outra, sai mais barato ... o custo é menor ... porque estamos “economizando” a margem de lucro de quem está vendendo.

Mas não é tão simples assim, principalmente quando comparamos cenários da saúde pública e da saúde privada:

·         E a diferença não é somente pelo fato de saber ou não “fazer a coisa” ... de dominar a técnica de fazer ... de ter volume ...

·         Existem outros fatores que podem reduzir a eficiência da terceirização ou da verticalização na área da saúde.

Podemos avaliar isso se classificarmos os serviços de saúde em alguns grupos, como demonstra a figura:

·         É bom ressaltar que os serviços de saúde podem e são classificados de várias outras formas;

·         E que cada um dos grupos que a figura ilustra têm vários subgrupos ou variações;

·         Utilizando esses apenas para orientar a discussão.

 

 

O SUS verticaliza “em massa” a maioria absoluta dos serviços de baixa complexidade:

·         Equipes de saúde da família, e outras que “vão na casa” do cidadão, como de saúde indígena, ribeirinha, penitenciária ...

·         Postos de saúde, que concentram as consultas com médicos mais generalistas, dentistas e procedimentos de coleta de exames e de vacinação;

·         São raros estes “equipamentos da saúde pública” terceirizados.

Também verticaliza a maioria, não absoluta, dos serviços de média complexidade:

·         Pronto socorro  e resgate;

·         Exames simples, quase que totalmente, e boa parte dos exames de média complexidade, consultas com especialistas e tratamentos e terapias, nos “vários nomes” que inventaram para os ambulatórios de especialidades que existem pelo país.

Um volume gigantesco de atendimentos, associado a possibilidade da gestão dos serviços poder ser em grande parte do próprio município onde o serviço de localiza, faz com que o baixo custo da unidade individual prevaleça em relação à qualidade e a eficiência que o atendimento do serviço possa entregar para a população !

Esta prevalência nos serviços próprios está, é claro, também associada ao baixo risco que o SUS tem quando a unidade entrega um produto de baixa qualidade ... o dano que o risco pode causar é pequeno “politicamente falando”.

 

 

E o SUS “terceiriza em massa”:

·         Os laboratórios, entregando para grandes “indústrias de processamento” os exames que não são de emergência e urgência, conseguindo, por não ter que entregar o resultado imediatamente, um custo insignificante por exame ... que dificilmente conseguiria “capilarizando” equipamentos de laboratório por um território nacional gigantesco como o nosso;

·         E a alta complexidade, e boa parte da média complexidade, especialmente em hospitais filantrópicos.

Especificamente em relação à alta complexidade, como é mais difícil entregar a gestão de hospitais para o município, e é diretriz do SUS deixar isso nas mãos do Estado:

·         O Estado, por menor que seja a UF, tem dificuldade em manter a eficiência desses serviços comparável a eficiência de um hospital privado, que não tem todo o “peso da máquina política” interferindo na gestão:

·         Se colocar no papel o custo de fazer ou terceirizar, o Estado certamente terceirizaria 100 %;

·         Mas, como “juízo e caldo de galinha” não faz mal a ninguém, para não ficar totalmente dependente da iniciativa privada para realizar os procedimentos de maior risco, o Estado mantém hospitais próprios, procurando concentrar nele todo o esforço de conseguir o máximo de eficiência, e terceiriza o resto;

·         E, “de lambuja” tenta se esquivar do dano que o risco associado aos procedimentos de maior complexidade gera ... e mesmo sendo o responsável final, invariavelmente na mídia acaba escapando da responsabilidade quando um evento adverso aflora, jogando a responsabilidade para o terceiro, coisa sem fundamento, é bom que se diga !

Já tive a honra de prestar serviço em dezenas de hospitais públicos e dezenas de hospitais privados que atendem SUS:

·         Pude aprender na prática que existem situações em que equipar e colocar para funcionar um hospital próprio “é puro suicídio” ... e outras em que suicídio é terceirizar !

·         Graças a Deus a gestão do SUS, por mais criticada que seja por quem não conhece o sistema, geralmente sabe discernir bem o que é possível em uma situação e o que não é !

·         E, naturalmente, é obrigado a manter em rede própria aquilo que a iniciativa privada não se interessa em vender para ele.

Mas, na média, a alta complexidade tem a preferência do SUS que seja terceirizada e não verticalizada.

 

 

Mas também tive a honra de prestar serviço em dezenas de operadoras de planos de saúde.

Sem o peso político que reveste o ambiente do SUS, são bem menores as situações em que verticalizar não seja vantajoso.

Na baixa e média complexidade são mais raras as chances da terceirização ser vantagem.

Basicamente quando não existe volume para “ocupar” a estrutura do serviço, ou seja, quando a frequência do procedimento é pequena e não compensa ter uma estrutura para fazer ... quando a estrutura vai ficar ociosa o suficiente para não compensar o lucro que o terceiro tem em ofertar o serviço.

Então as operadoras estão, há décadas, em ritmo acelerado de total verticalização:

·         São raras as que não têm nos seus recursos próprios toda a baixa complexidade, que inclui as clínicas de APS, ABA, Consultórios, Laboratórios e outros tipos de SADTs ...

·         A maioria das que tem porte, tem seus próprios serviços de pronto socorro, não somente para reduzir o custo do PS, mas também para não “escancarar” a porta da internação com casos desnecessários;

·         E todas as que têm porte ... quase todas as maiores operadoras já possuem seus próprios hospitais ... algumas “na casa da centena” de hospitais !

 

 

Gestão da saúde é mesmo algo fantástico ... não canso de dizer ! ... é sempre necessário avaliar o contexto para tomar a melhor decisão !

Tem gente que “prega que” o SUS deveria expandir sua rede própria e não depender da iniciativa privada, para que a população não sofra com o SUS o que sofre concessionárias de energia elétrica e saneamento:

·         Tem gente que prega que o SUS deveria privatizar tudo para melhorar o serviço, para que a população tenha melhoria no serviço, como ocorre com a concessão da Telecom;

·         Mas quem observa com imparcialidade o cenário do SUS sabe que existem situações em que uma coisa ou outra é a melhor alternativa.

Tem gente que prega que as operadoras não poderiam ter rede própria para não dificultarem o acesso dos beneficiários aos serviços de saúde:

·         Tem gente que prega que as operadoras deveriam ter todos os serviços verticalizados para poderem entregar assistência integral à saúde para os beneficiários e não distribuírem a responsabilidade pela gestão da saúde deles;

·         Mas quem observa com imparcialidade o cenário de cada uma sabe que existem situações que privilegiam a verticalização e outras não.

O mais importante, que só a experiência nos ensina, é que neste tema terceirizar ou verticalizar, o contexto se modifica ao longo do tempo ... observar o que é adequado hoje, e visitar o assunto novamente daqui a algum tempo para verificar se a viabilidade continua sendo a mesma !

Hoje “a palavra de ordem” é terceirizar no SUS e verticalizar na operadora ... amanhã, só vamos saber quando analisarmos o novo contexto, não é verdade ?

Necessitando informações ou estudos macroeconômicos sobre o mercado da saúde suplementar consulte a página Geografia Econômica da Saúde no Brasil     www.gesb.net.br    , ou     contato@escepti.com.br

Necessitando capacitação no tema, consulte cursos da página   www.cpgs.net.br    , ou   contato@escepti.com.br

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·         Planejamento Estratégico para Empresas na Área da Saúde, incluindo estudos macroeconômicos, análise de enquadramento e reposicionamento da instituição no mercado, consulte a página  www.escepti.com.br/Ass/PLA   , ou   contato@escepti.com.br

·         Gestão de Rentabilidade e de Custos de Unidades de Negócios, consulte a página  www.escepti.com.br/Ass/RUN   , ou   contato@escepti.com.br

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Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

·  Coordenador Adjunto do Curso de Pós-graduação em Administração Hospitalar da Fundação Unimed e do MBA de Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas do HCx da Faculdade de Medicina da USP

Histórico Profissional

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor de 12 livros pela Editora Manole, Editora Atheneu / FGV e Edições Próprias

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado