Produto Plano de Saúde Avaliado pelos Rankings de Ticket Médio Assistencial
0497 – 09/09/2026
Ref.: Consultoria Especializada, Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil
Ranking dos maiores tickets médios assistenciais é um dos sinalizadores da qualidade assistencial dos planos
(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti
A qualidade do “produto plano de saúde” depende mais do preço ... muito menos de outros fatores.
Para entender, o gráfico de cima compara o orçamento do SUS (barras azuis) com o quanto as operadoras de planos de saúde gastam com a assistência aos beneficiários (barras laranjas) – as despesas assistenciais.
O de baixo, o mesmo orçamento do SUS (barras azuis) com o quanto as operadoras arrecadam (barras laranjas) – as receitas de contraprestação, ou seja, o quanto os beneficiários pagam pelo plano.
Fica claro que o SUS tem menos dinheiro para tratar da saúde da população (210 milhões de pessoas) do que as operadoras têm para tratar dos beneficiários de planos (apenas ~ 50 milhões de pessoas).
Todos sabemos que a qualidade assistencial que o SUS entrega para a população, por melhor que seja o SUS, mesmo com o SUS sendo um dos melhores, senão o melhor, sistema de saúde pública do mundo ... a qualidade assistencial do SUS é inferior à qualidade assistencial que os planos de saúde entregam aos beneficiários.
Não porque os médicos são ruins, os equipamentos são ruins, a hotelaria é ruim ... isso não é verdade:
· Temos excelentes médicos no SUS, temos equipamentos moderníssimos no SUS ...
· ... e até temos serviços de saúde no SUS que não devem em nada em relação à maioria absoluta dos sérvios de saúde da saúde suplementar;
· E que na média, o acolhimento e principalmente a disponibilidade de acesso é bem melhor na saúde suplementar do que no SUS.
Aliás, se assim não fosse, sendo o SUS de graça, ninguém pagaria por um plano de saúde, não é verdade ?
Com esta lógica, uma das formas de avaliar a qualidade dos planos de saúde é pelo que gastam per capita ... por pessoa ... com a assistência médica deles.
Mas é importantíssimo iniciar ressaltando que nem sempre o plano que gasta mais com assistência per capita tem mais qualidade do que o que gasta menos:
· Pode ser que gaste mais porque algum evento adverso ocorreu, agravando a sinistralidade do plano;
· Pode ser que gaste mais porque a carteira de beneficiários dele tem mais doentes que a dos outros ... tem mais idosos que a dos outros ... e naturalmente a sinistralidade é maior !
Mas se analisarmos “grandes massas populacionais” estes fatores que agravam a sinistralidade têm menor influência em relação ao valor médio gasto por pessoa:
· Como no caso em que comparamos o SUS com as operadoras, como demonstra o gráfico;
· Pessoas que não reconhecem o valor do SUS e as suas dificuldades dizem que a população que necessita do SUS está nas mãos de Deus, mas isso está longe de ser verdade;
· O SUS presta assistência de qualidade superior em relação à saúde suplementar em diversos cenários, mas evidentemente com os recursos limitados que tem, e basta olhar o gráfico para ter certeza, não consegue entregar qualidade em todo o território nacional e, principalmente, com o nível de hotelaria que quem tem dinheiro para pagar um plano de saúde quer !
· Tão simples quanto isso !!
Fica completamente fora de cogitação fazer essa análise comparativa de qualidade de planos de saúde na saúde suplementar misturando operadoras de planos de saúde de tipos (ou modalidades no idioma ANS ) diferentes ... é necessário separar as operadoras por tipo, e separando por tipo comentar as particularidades de cada um deles.
Na página www.gesb.net.br voce pode observar os rankings das operadoras com maior ticket médio assistencial ... os rankings completos ... sem a necessidade de login e senha ... é só entrar ... nenhum mecanismo vai ficar bisbilhotando quem entrou para consultar o que !
Aqui no texto, para ilustrar, vamos utilizar estes rankings, mas de apenas 30 das operadoras de cada tipo ... apenas para enriquecer a discussão.
E selecionamos nos rankings aqui apenas operadoras de planos de saúde com mais de 1.000 beneficiários em dezembro de 2025, porque nas menores um único doente grave pode “dar uma balançada” boa no equilíbrio da sinistralidade da operadora, e no seu ticket médio assistencial.

Iniciando pelas medicinas de grupo:
· Podemos observar que em um ranking das apenas 30 que tem o ticket médio maior, existe uma variação de TM de nada menos que 5 vezes !!!!!!
· 2 das 3 primeiras, são conhecidas por venderem planos mais caros e com maior abrangência e cobertura. Construíram sua marca assim, oferecendo produtos mais caros, mais abrangentes, e menos restritivos;
· A que é conhecida por atuar no mercado da terceira idade aparece neste ranking reduzido, e as duas maiores do Brasil, não, já sinalizando que operadoras que têm “carteiras mais velhas” tendem a ter um ticket médio mais elevado !
Este ranking “nos ensina” que as medicinas de grupo oferecem planos ... produtos ... muito diferentes, e naturalmente a variação do ticket médio assistencial delas fica muito diferente.
E vale lembrar que existem operadoras nesse grupo que oferecem assistência odontológica junto com assistência média, e outras não, e isso também pode contribuir para a redução do ticket médio assistencial.
Mas como regra geral, quem conhece as operadoras consegue constatar através dos números, que na média, a operadora que gasta mais está ofertando um produto de maior abrangência (cobertura, amplitude regional, hotelaria, livre escolha, etc.) !

Veja que quando observamos as cooperativas médicas, não temos variação de 5 vezes entre o Ticket Médio assistencial da primeira do ranking e da trigésima do ranking !
O sistema Unimed tem alguns padrões regulatórios internos que fazem com que as operadoras, embora muito diferentes na gestão e na carteira de beneficiários, não tenham tanta variação em relação ao produto que entregam aos beneficiários.
Boa parte de quem está lendo sabe que estou assessorando a Unimed em um projeto nacional, e tenho convivido com as diferenças ... enormes diferenças ... que existem entre Unimeds espalhadas por todo o território nacional:
· Mas há anos digo que o Sistema Unimed tem uma regulação própria, e diferente de tudo: tem a operadora, o serviço de saúde, e o médico (o cooperado) exigindo esta autorregulação;
· Sempre digo que se não existisse a ANS as operadoras do Sistema Unimed não seriam muito diferentes do que são hoje ... as medicinas de grupo, as seguradoras, filantropias, autogestões e odontologias de grupo seriam completamente diferentes do que conhecemos hoje ... mas as cooperativas médicas, e as cooperativas odontológicas também, seriam muito parecidas do que são, mesmo sem a ANS.
E vamos lembrar também que quase nenhuma Unimed oferece assistência odontológica, ou seja, este fator redutor do ticket médio assistencial tem pouquíssima influência nesse ranking.

Seguradoras são um capítulo à parte, primeiro que são poucas ... não dá para fazer um ranking das 30 !
A que têm o TM maior é uma seguradora que nem gostaria de continuar existindo:
· Ela só existe, na essência, para não desassistir os ex-funcionários da mantenedora ... para não descumprir um compromisso moral, ou coisa parecida;
· E o TM dela é altíssimo porque a faixa etária é altíssima, e a quantidade de beneficiários muito pequena;
· Nessa comparação, deixar fora dessa discussão é a melhor coisa que podemos fazer.
Nas demais o ticket médio, apesar de serem planos de maior abrangência regional e livre escolha, a sinistralidade dos eventos adversos é distribuída por um grande volume de beneficiários.
As duas maiores com TM muito parecidos !

Falando das sem-fins lucrativos, iniciando pelas autogestões:
· Temos Ticket Médios altos;
· Os menores desse ranking reduzido, estariam no topo dos rankings das demais.
E é fácil entender ... para ilustrar, comentando um episódio profissional pessoal:
· Estava assessorando a área comercial de um dos maiores hospitais de São Paulo, que não tinha contrato com a primeira autogestão desse ranking;
· Trabalhamos para viabilizar a parceria ... e conseguimos ... apesar da operadora ter “meio que como mantra” utilizar uma das maiores redes de hospitais do Brasil lá no Rio de Janeiro.
O que atraia cada vez mais a atenção no relacionamento para viabilizar o credenciamento é que durante todo o processo, que teve muita negociação de preço como em qualquer outro, a preocupação deles com a qualidade assistencial, com a forma como o beneficiário seria acolhido ... sempre foi acima do normal.
Quem milita na área comercial de hospitais ... de credenciamento de operadoras ... sabe do que estou falando:
· O foco das operadoras no processo de credenciamento e contratualização é quase 100 % preço, e compliance em relação às exigências para credenciar;
· Qualidade faz parte ... sim ... mas invariavelmente fica mais no discurso do que no que é cobrado das áreas de credenciamento como meta comercial !
· As autogestões, não todas é claro, tem como “auditores” os próprios funcionários da mantenedora;
· É “bem mais complicado” para a autogestão “negar” um pedido médico para seu beneficiário ... “dono” da operadora ... do que em outros tipos de operadoras, se é que me entende !
O ticket médio assistencial mais elevado nas autogestões, é “marketeiramente” sempre associado pelas outras à má gestão, porque é claro que existe interesse em acabar com as autogestões por parte de quem pode vender assistência médica para essas mantenedoras:
· Mas isso é um absurdo na maioria absoluta dos casos;
· O maior ticket médio é resultado da obrigatoriedade de oferecer produto mais abrangente, com menor restrição de acesso ... simplesmente isso !

Já nas outras sem fins lucrativos o ticket médio é menor, porque a rede assistencial é bem mais restrita, geralmente concentrada no próprio serviço de saúde da mantenedora.
Nas que se vinculam a uma grande empresa, é bem comum a assistência ser compartilhada entre o que o plano oferece e serviços próprios que misturam medicina laboral com prevenção, e não contabilizam seus custos nesta conta.
Nas que se vinculam a hospitais filantrópicos, geralmente estão beneficiários que nascem, vivem e morrem em uma pequena região geográfica, e não está nem um pouco interessado em cobertura nacional, ou em hospitais de “pedigree” em outras cidades, que encarecem os planos de “maior livre escolha”.
O menor ticket médio acaba naturalmente sendo reduzido em função disso.
O que se coloca aqui é a grande variação de ticket médio observada entre as primeiras e as últimas desse ranking:
· Para quem conhece um pouco sobre algumas delas, é possível entender grandes diferenças ... principalmente pelo porte da mantenedora;
· Mas é bem evidente, e até questionável, se as informações que temos sobre elas na ANS estão sendo rigorosamente auditadas como nas demais ... se a regulação consegue captar “o balanço” delas adequadamente, se é que me entende !


Nas exclusivamente odontológicas, “mais que evidentemente”, o ticket médio é muito menor do que nas de assistência médica, porque o custo da assistência odontológica não se compara com o da assistência médica.
É inevitável a associação do que acontece com as cooperativas médicas e as cooperativas odontológicas ...
... e a associação do que acontece com as medicinas de grupo e as odontológicas de grupo.
Muito do que foi colocado lá em cimas nas cooperativas médicas e nas medicinas de grupo valem por similaridade aqui para as cooperativas odontológicas e odontologias de grupo, respectivamente !
Talvez a característica de similaridade mais marcante é justamente a variação do ticket médio das que estão nesses rankings reduzidos:
· Nas cooperativas odontológicas a variação é menor, como ocorre com as cooperativas médicas;
· Nas odontologias de grupo a variação é maior, como ocorre com as medicinas de grupo !

Em resumo, este gráfico sacramenta que, como discutido, não se pode comparar tickets médios de operadoras de tipos diferentes.
Mas não existe milagre: para oferecer maior cobertura, hotelaria e escolha, o preço do plano tem que ser maior.
Vamos finalmente lembrar:
· O ticket médio assistencial geral da Saúde Suplementar per capita, é 5 vezes maior que o orçamento per capita do SUS !!!!
· É impossível que o SUS possa oferecer um produto minimamente similar ao que a saúde suplementar entrega;
· Mesmo assim, existem “milhares” de situações em que um brasileiro prefere ser atendido pelo SUS do que pelo seu plano de saúde. É só lembrar das palavras coparticipação, franquia, ressarcimento ... e por aí vai !
É bom encerrar deixando enfatizando que menor ticket médio não significa desassistência:
· É plenamente possível entregar um produto de boa qualidade concentrando atendimentos em menor volume de serviços da rede credenciada, inserindo fatores moderadores no contexto, e outras ações de mitigação da sinistralidade;
· O que se coloca é justamente que amplitude regional de cobertura, livre escolha, hotelaria, marca ... são “valores” que quem paga pelo plano colocam em primeiro plano.
O beneficiário não avalia índice de infecção, taxa de mortalidade, protocolos ... ele avalia basicamente disponibilidade e acolhimento ... essas são as preferências do beneficiário.
E as preferências que estão “no sonho de consumo” dos beneficiários e não têm a ver com a qualidade assistencial efetiva, custam mais caro !
Necessitando capacitação no tema, consulte cursos da página www.cpgs.net.br , ou contato@escepti.com.br
Necessitando de assessoria especializada em
· Planejamento Estratégico para Empresas na Área da Saúde, incluindo estudos macroeconômicos, análise de enquadramento e reposicionamento da instituição no mercado, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/PLA , ou contato@escepti.com.br
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Sobre o autor Enio Jorge Salu
CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, HCX da Faculdade de Medicina da USP, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
Histórico Profissional
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa Industrial
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor dos livros Administração Hospitalar no Brasil – Editora Manole, Gestão Comercial Hospitalar – Editora Atheneu / FGV, Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas Hospitalares – Editora Atheneu / Fundação Getúlio Vargas, e mais 9 livros de gestão em saúde de edição própria disponíveis para download em páginas da Internet
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado