Saúde Suplementar tem algo a aprender com dados do SUS
0500 – 24/09/2026
Ref.: Consultoria Especializada, Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil
Eletiva custa mais barato que emergência – protelar a internação não é o caminho
(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti
Tenho o privilégio de atuar profissionalmente na saúde suplementar e no SUS, e aprendi como informações de um sistema de financiamento podem ser extremamente úteis em outro, especialmente quando a gente analisa dados de forma isenta, sem tendências ideológicas, políticas ou outras que acabam prejudicando o interesse coletivo, e o nosso próprio desenvolvimento.
E tenho o privilégio de ter conhecido profissionalmente operadoras de planos de saúde “do bem e do mal” ... secretários de saúde “do bem e do mal” ... nessa longa jornada lidei, e ainda lido, com todo o tipo de gestor de saúde privada e pública !
Neste texto, Deus me livre classificar todas as operadoras como sendo do bem e do mal ... deixando bem claro que me refiro a algumas que, em busca de um resultado financeiro positivo de curto prazo acabam, muitas vezes sem avaliar adequadamente, agravando sua sinistralidade ao invés de obter o efeito contrário.
Neste texto vou comentar a prática de algumas de protelar a internação inadequadamente, para jogar a sinistralidade um pouco mais para a frente, se é que me entende !
Analisando dados do SUS é possível entender, através de números indiscutíveis, o que ocorre com essa prática.
No gráfico de cima vemos a evolução % do volume de internações eletivas e emergenciais no SUS:
· É possível ver que proporcionalmente o volume de internações eletivas cresceu entre o antes e o pós pandemia;
· Durante a pandemia até elevaram as internações de urgência, é claro, mas nos últimos anos já caíram a níveis inferiores a 2019;
· É importante citar que a proporção de internações de emergência é “vergonhosa” em relação às eletivas ... se tivéssemos mais recursos para a saúde, certamente teríamos mais eletivas do que emergências ...
· ... mas o que estamos avaliando aqui é a evolução, e nesse requisito, proporcionalmente as eletivas estão crescendo e as de emergência reduzindo;
· Um bom sinal ... pior seria se fosse o contrário não é verdade ?
Mas no gráfico de baixo vemos uma realidade que fica fora do radar de muitos gestores, tanto da saúde pública, como da saúde privada ... da saúde suplementar:
· Percebemos que a média de permanência em internações eletivas vai caindo ao longo do tempo ... e caindo bem, diga-se de passagem !
· Mas a média de permanência em internações de emergência permanece quase a mesma.
Evoluímos os protocolos assistenciais para tratar com mais eficiência os pacientes, mas fazemos isso melhor quando planejamos o seu tratamento ... quando é eletivo.
Quando a internação é de urgência não ... não evoluímos no tratamento de urgências ! ... os números são indiscutíveis.

Se “pegarmos” um intervalo maior de tempo, comparando não 2019 com 2026, mas 2008 com 2026:
· O aumento do volume de eletivas em relação ao volume de emergências é um pouco maior;
· A média de permanência de eletivas caiu quase pela metade;
· Mas a média de permanência nas internações de emergência é “irritantemente” quase a mesma coisa.
Se não está claro o que isso significa em termos de custo ... de sinistralidade ...
· Se a média de permanência é maior, evidentemente o custo da internação é maior;
· Se o custo da internação é maior, a sinistralidade é maior;
· Se um procedimento for realizado em um “ambiente eletivo” tem um custo menor do que se for realizado em um “ambiente emergencial”.
Protelar uma internação eletiva pata reduzir custo, pode parecer ser algo interessante para conter a sinistralidade, mas não é !

Se apurarmos o % de internações de urgência sobre o total de internações por UF nas regiões Sul e Sudeste no Brasil vemos diferenças significativas:
· E não existe uma característica regional nesses estados que seja tão marcante a ponto de justificar, por exemplo, 10 % de diferença entre um e outro;
· Se fizéssemos a comparação com outras UFs de outras regiões, até poderia ser, mas nessas regiões as características regionais não são tão significativas a ponto de ser justificativa.
Quando iniciei um trabalho de melhoria do ciclo de receita em uma secretaria estadual de saúde um dos primeiros levantamentos que solicitei foi a distribuição das internações por caráter de urgência:
· Foi engraçado ... me surpreendi ... porque as pessoas pensavam que eu estava interessado em auditar as compras de emergência, que é a primeira coisa que vem à cabeça de quem não tem intimidade com o ciclo de receitas no SUS;
· Pelos números é possível concluir que, como a maioria dos atendimentos é de urgência, a maior parte do que se compra não é de urgência ... é de rotina de urgência ... minha preocupação era quase nenhuma em relação a isso;
· A preocupação era justamente demonstrar que aumentando as eletivas o custo seria menor, e o ciclo da receita daria melhor resultado !
Acho que com os números fica bem claro que quando a gente avalia custo hospitalar, ou a sinistralidade de uma operadora, esse parâmetro de emergenciamento de internações é dos mais importantes !
É um dos dados que o SUS tem e podem auxiliar as operadoras na gestão da sua sinistralidade ... são volumes de dados gigantescos, que “destroem” vieses importantes.
Necessitando informações ou estudos macroeconômicos sobre o mercado da saúde pública e da saúde suplementar consulte a página Geografia Econômica da Saúde no Brasil www.gesb.net.br , ou contato@escepti.com.br
Necessitando capacitação no tema, consulte cursos da página www.cpgs.net.br , ou contato@escepti.com.br
Necessitando de assessoria especializada em
· Gestão da Sinistralidade do Plano de Saúde e Outras Despesas Assistenciais com Funcionários, incluindo sugestões de ajustes em relação ao plano, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/PSF , ou contato@escepti.com.br
· Gestão das FPOs, do Faturamento e Auditoria de Contas no SUS, incluindo desenvolvimento de kits de faturamento, checklists, e benchmarkings, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/FSU , ou contato@escepti.com.br
· Gestão de Repasses para a Rede Credenciada, incluindo benchmarkings de repasses em âmbitos regional e nacional, e análise de excepcionalidades e de emergenciamentos, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/BRS , ou contato@escepti.com.br
· Planejamento Estratégico para Empresas na Área da Saúde, incluindo estudos macroeconômicos, análise de enquadramento e reposicionamento da instituição no mercado, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/PLA , ou contato@escepti.com.br
· Gestão de Rentabilidade e de Custos de Unidades de Negócios, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/RUN , ou contato@escepti.com.br
· Custos por Procedimento, aplicando métodos de Custo Médio, Custo Mínimo Estimado, e Custo Unitário, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/CST , ou contato@escepti.com.br
Sobre o autor Enio Jorge Salu
CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, HCX da Faculdade de Medicina da USP, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
Histórico Profissional
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa Industrial
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor dos livros Administração Hospitalar no Brasil – Editora Manole, Gestão Comercial Hospitalar – Editora Atheneu / FGV, Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas Hospitalares – Editora Atheneu / Fundação Getúlio Vargas, e mais 9 livros de gestão em saúde de edição própria disponíveis para download em páginas da Internet
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado