A sinistralidade SUS evolui proporcionalmente mais que a da Saúde Suplementar
0503 – 15/10/2026
Ref.: Consultoria Especializada, Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil
Operadoras reclamam da escassez de recursos, com razão, mas o problema dos gestores do SUS é muito maior
(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti
Quem atua no segmento da saúde certamente teve muitos problemas com as propostas dos candidatos nessa eleição ... e ainda está tendo ... e não existe nenhum indício que os problemas vão terminar. Pelo menos na minha cidade, no meu estado, não vi absolutamente nenhuma proposta de nenhum candidato de nenhum partido com conteúdo que venha melhorar o sistema de financiamento da saúde e, principalmente, o acesso das pessoas aos recursos de saúde.
Como sempre, um monte de promessas absurdas, verdadeiras “baixarias”, primeiro coisas que demandam muito dinheiro sem dizer de onde vem, segundo coisas que não são da alçada de quem está prometendo e só seriam viabilizadas se houvesse consenso sobre temas que estão politicamente radicalizados, e terceiro porque a maioria absoluta delas não teria eficácia alguma na melhoria da qualidade da assistência ou acesso das pessoas ao SUS e aos serviços de saúde através dos planos de saúde ... novamente um show de horror !
Olhando o gráfico é possível entender o centro do problema do financiamento da saúde:
· O SUS, com toda a dificuldade de financiamento que possui, financiava algo em torno de 12 milhões de internações por ano em 2019, antes da pandemia, e fechou 2025 com financiando algo em torno de 14 milhões e meio de internações;
· A Saúde Suplementar regulada pela ANS, não toda a saúde privada, apenas a que se refere ao que é financiado através dos planos de saúde, financiou algo em torno de 6 milhões de internações em 2019, e fechou 2025 com financiamento de quase 8 milhões de internações;
· Não estamos aqui “falando de valores” ... são número de internações.
Nos dois casos a saúde pública e privada, aos “trancos e barrancos”, vai financiando cada vez mais internações, e proporcionalmente mais do que o crescimento do volume de pessoas que necessitam dela, tanto os beneficiários de planos de saúde, como os beneficiários do SUS ... graças a Deus !

Mas não existe esta evolução em todo o Brasil, nem na saúde suplementar, nem no SUS:
· O gráfico da esquerda demonstra que tanto existem UF onde a evolução do volume de cirurgias entre 2019 e 2025 chegou a “espantosos” 41,6 %, como existe UF em que o volume de internações pelo SUS retraiu, caindo mais de 20 %;
· O gráfico da direita também demonstra que temos UF em que a evolução no volume de internações na saúde suplementar foi “espantosamente” 53 %, mas tivemos UF com retração de mais de 30 %. Tomei a liberdade de excluir dessa comparação 2 UFs que registraram evoluções “astronômicas” ... até deixei o gráfico com todas “menorzinho”, mas Goiás foi excluído porque teve aquela instituição que não era regulada pela ANS e optou por ser durante o período, e tem meio milhão de beneficiários cujas internações não eram registradas em 2019 e aparecem registradas em 2025, apresentando um crescimento que não é real, e Roraima teve o evento da grande migração de Venezuelanos em uma base de beneficiários que era muito pequena, naturalmente distorcendo, e bem, a análise.
Basta observar esses gráficos para entender que a missão do gestor orçamentário do SUS ... a missão do gestor de sinistralidade do plano de saúde ... é muito diferente regionalmente ! ... algo que deu certo em uma UF pode ter fracasso total em outra !!
O certo é que no sistema de financiamento as internações consomem quase metade de todo o recurso financeiro que o gestor “tem nas mãos”, ou seja, internação é para o sistema de financiamento “a rubrica” mais crítica na planilha de custos, se é que me entende !

A participação da saúde suplementar “nessa equação” de financiamento da saúde no Brasil é pequena:
· Em 2019 a participação do total de internações da saúde suplementar em relação ao total de internações era algo em torno de um terço ... 33,9 %;
· Em 2025 registra crescimento, mas ainda está em apenas 35 % do total.
O SUS continua sendo “o carregador de piano” da saúde da população, e nenhum indicador sinaliza que essa proporção vá se modificar significativamente nos próximos anos ... principalmente quando analisamos as promessas dos candidatos que se referem a saúde, não é verdade ?

O SUS conseguia entregar 74,7 internações para cada 1.000 pessoas que não têm plano de saúde no Brasil em 2019:
Com toda a dificuldade de obter recursos para melhorar, ele conseguiu entregar 90,7 internações para cada 1.000 pessoas que não têm plano de saúde em 2025 ... um avanço ... um espetacular avanço para quem “milita no ramo” e entende a dificuldade de financiamento;
A saúde suplementar que entregava 132,6 internações para cada 1.000 beneficiários de planos de saúde conseguiu avançar para 147,5 internações para cada 1.000 beneficiários de planos de saúde em 2025.
Esses números nos sinalizam 2 coisas mais do que óbvias:
· Existe demanda reprimida no SUS para internações, porque estamos tratando de seres humanos que vivem no mesmo país, sujeitos as mesmas doenças ... o beneficiário de plano de saúde não é “mais doente” que o beneficiário do SUS !
· A saúde suplementar só consegue entregar mais internações porque consegue captar mais recursos.
Porque quando o gestor da saúde suplementar apura a sinistralidade da sua carteira, tem a chance de reajustar o preço do plano de saúde, e captar mais recurso.
Mas o gestor orçamentário do SUS, em quase 100 % dos casos, não consegue captar mais recursos ao apurar a evolução do custo da sua contratualização com o SUS:
· Com “o mesmo dinheiro” para custeio, a alternativa só pode ser reduzir o volume de atendimento;
· E controlar o aumento do volume de internações e ação mais efetiva para manter a sustentabilidade financeira !

Analisar números isoladamente invariavelmente levam as pessoas a conclusões erradas:
· Quando olhamos, por exemplo, o gráfico de cima percebemos que em volume de internações a evolução da saúde suplementar foi maior que a do SUS, dando a impressão que a eficiência da saúde suplementar em prover internações aos beneficiários de planos de saúde é melhor que a do SUS em prover internações para quem não tem plano de saúde;
· Mas ao olhar o gráfico de baixo vemos que isso não é verdade: a evolução do SUS em entregar internações por indivíduo é maior que na saúde suplementar. A relação per capita no SUS cresceu mais do que na saúde suplementar.
Então vamos combinar que alguns discursos de alguns políticos “criminalizando” a competência dos gestores do SUS é que deve ser criminalizada !
Se o que o SUS entrega não é o que gostaríamos que ele entregasse a principal razão está longe de ser a competência dos seus gestores:
· É claro que temos pessoas incompetentes na gestão do SUS ... em qualquer órgão público temos ... mas isso não significa que todos são incompetentes, muito pelo contrário;
· Da mesma forma que temos pessoas competentes e incompetentes em operadoras de planos de saúde;
· Generalizar destruindo a reputação das pessoas é das práticas mais frequentes e lamentáveis da época das eleições ... e infelizmente dá voto ... uma pena !
Mais infelizmente que nunca, estamos chegando ao final de mais um ciclo eleitoral em que a saúde ficou em segundo plano:
· Discutida de forma insípida, conduzida por pessoas que não conhecem o segmento;
· Sem propostas que atacam o centro do problema do financiamento do SUS e das operadoras de planos de saude;
· Com maior prejuízo para os gestores do SUS, que têm menos alternativas do que o gestor do plano de saúde para captar o aumento de recurso que a saúde exige !
Necessitando informações ou estudos macroeconômicos sobre o mercado da saúde suplementar consulte a página Geografia Econômica da Saúde no Brasil www.gesb.net.br , ou contato@escepti.com.br
Necessitando capacitação no tema, consulte cursos da página www.cpgs.net.br , ou contato@escepti.com.br
Necessitando de assessoria especializada em
· Gestão das FPOs, do Faturamento e Auditoria de Contas no SUS, incluindo desenvolvimento de kits de faturamento, checklists, e benchmarkings, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/FSU , ou contato@escepti.com.br
· Planejamento Estratégico para Empresas na Área da Saúde, incluindo estudos macroeconômicos, análise de enquadramento e reposicionamento da instituição no mercado, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/PLA , ou contato@escepti.com.br
· Gestão de Rentabilidade e de Custos de Unidades de Negócios, consulte a página www.escepti.com.br/Ass/RUN , ou contato@escepti.com.br
Sobre o autor Enio Jorge Salu
CEO da Escepti Consultoria e Treinamento
Histórico Acadêmico
· Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo
· Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo
· Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas
· Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, HCX da Faculdade de Medicina da USP, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta
Histórico Profissional
· CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa Industrial
· Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas
· Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares
· Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação
· Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas
· Associado NCMA – National Contract Management Association
· Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde
· Autor dos livros Administração Hospitalar no Brasil – Editora Manole, Gestão Comercial Hospitalar – Editora Atheneu / FGV, Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas Hospitalares – Editora Atheneu / Fundação Getúlio Vargas, e mais 9 livros de gestão em saúde de edição própria disponíveis para download em páginas da Internet
· Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado