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A importância de dar foco na Gestão de Indicadores Hospitalares

0504 – 22/10/2026

Ref.: Consultoria Especializada, Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e Geografia Econômica da Saúde no Brasil

Sem foco e critério para fazer comparações produzir indicadores perde o sentido

 

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático do Programa Cursos Profissionalizantes em Gestão da Saúde, e das consultorias da Escepti

Há alguns anos fui convidado para dar uma aula e me deparei com uma cena que marcou muito:

·         Naquela reputadíssima escola as salas naquele andar têm janela na porta, e dá para ver quase toda a sala pelo lado de fora, e presenciei um professor falando aos alunos, mas praticamente todos não prestavam atenção nele, fazendo alguma coisa no celular;

·         Sem prejudicar a aula e o professor porque não me notaram do lado de fora, fiquei alguns instantes para ver eles estavam utilizando o celular referente a algo que ele falava, mas tive a certeza que não.

Imediatamente liguei aquela cena às dezenas, talvez centenas de vezes em que participei de reuniões em empresas e parte das pessoas estava presente, mas “não estava muito”, sabe ?

E de lá para cá tenho presenciado isso em aulas e reuniões cada vez mais:

·         Antes tínhamos aulas e reuniões com temas mais focados, menos abrangentes, que foram se modificando para serem aulas e reuniões de conteúdo cada vez mais intenso e diverso, “meio que” com apelo das “visões 360º” sobre um tema;

·         Nas aulas ainda que o público é “mais ou menos uniforme” ... são alunos de uma mesma turma ... estão todos ali pela mesma razão: assistir a aula, responder presença, e ter contato com aquele conteúdo específico daquela aula;

·         Mas nas reuniões, cada vez mais, o público não é uniforme em diversos aspectos: não necessariamente são pessoas do mesmo nível hierárquico, as pautas não são focadas – muito abrangentes, e mesmo quando se referem a um eixo temático específico geralmente têm convidados com nível de interesse de apenas parte do que se discute. Então “reina” o uso do celular “enquanto rola” a reunião !

Como na figura, é cada vez mais comum uma sessão com um grande painel que apresenta diversos indicadores que não são discutidos e/ou não são do interesse de todos que estão presentes, fazendo com que as pessoas estejam absortas em outras coisas a maior parte do tempo em que o assunto não “está na sua agenda”.

Um desperdício de tempo ... tempo que geralmente faz falta para aquele gestor dar foco em coisas que merecem mais atenção e são prejudicadas por falta desse tempo empenhado desnecessariamente ... cada vez mais !

 

 

Nessa semana fui convidado para falar sobre gestão de indicadores hospitalares para executivos de hospitais da rede própria de Hospitais da Unimed do Estado de São Paulo:

·         Sempre uma grande honra, que me obrigo a agradecer a oportunidade e a confiança ! ... obrigado Elisete, Luciana, Jefferson e toda a equipe ... muito obrigado !

·         Para quem ainda não teve a oportunidade de interagir profissionalmente com hospitais de rede própria de operadoras, vale comentar que os gestores deles lidam com diversos paradoxos, por exemplo: obrigando em diversas situações analisar o indicador ora com foco na sinistralidade da operadora, ora como produção de um serviço de saúde que, vamos combinar, são bem diferentes;

·         Hospital de rede própria também pode analisar indicadores com focos diferentes dependendo se o paciente é beneficiário da mantenedora ou não, e no caso específico do Sistema Unimed, ainda pode ter uma “terceira” visão no caso de pacientes de intercâmbio ou não.

Para cumprir sua missão, o gestor pode ter que calcular de forma diferente o mesmo indicador, dependendo de cenários de relacionamento que o hospital tem com a mantenedora, ou com o cliente outra operadora, ou com o cliente particular, ou com o cliente SUS !!

A quantidade de indicadores hospitalares, que normalmente já “beira o absurdo”, pode ser multiplicada em função de cada um desses contextos particulares de ser rede própria.

Priorizar e organizar a análise dos indicadores é questão de sobrevivência em hospitais. Vale a comparação com a observação do céu de noite:

·         Existem bilhões de informações a sua vista;

·         Se não existe objetivo na observação, a visão é meramente “contemplativa” ... só serve para se admirar ... para agradecer a Deus ... para ter certeza da nossa insignificância ...

·         É muita informação para que sirva para alguma coisa de prático na observação sem foco.

Mas se existe objetivo na observação, pode existir “um trilhão” de informações à vista, e isso não vão interferir naquilo que a gente está querendo explorar;

·         Se estamos monitorando a queda de asteroides na Terra, ou a distância das Três Marias, ou o tamanho dos anéis de Saturno ... nada vai atrapalhar o objetivo da observação;

·         E ficamos ali a noite toda observando sem medo de nada a não ser que conseguirmos ver algum asteroide se chocando contra a atmosfera da Terra !

·         E se a missão da observação não é escanear o céu para descobrir asteroides vindo contra a Terra, não vale a pena ficar falando sobre isso com outras pessoas que estão apenas admirando o brilho da Lua ... como os alunos olhando para o celular durante a aula !

Para a maioria absoluta das pessoas que estão na Terra, existem 1, 2 ou 3 indicadores ao contemplar o céu que podem realmente serem de interesse:

·         Se tem um asteroide vindo na nossa direção, se ondas solares estão interferindo nas telecomunicações, se a fase da lua vai interferir na pesca do fim de semana;

·         Muito pouco em relação a tudo que “um milhão” de profissionais que monitoram no céu cientificamente, não têm nada a ver com a rotina da nossa vida, mas são a fonte de sobrevivência profissional deles !!!

 

Se, ao contrário, combinar somente com pessoas que gostam de ficar olhando o céu a procura de asteroides, todos olharão para “os confins” do céu bem concentrados, com um objetivo comum ... a reunião vai valer a pena !

Em uma época em que o que temos de mais escasso é o nosso tempo, é imprescindível que os hospitais repensem a dinâmica de análise crítica dos indicadores:

·         Quanto mais pessoas estiverem juntas, vendo o máximo de indicadores sem foco ...

·         ... maior o desperdício de tempo dos presentes ...

·         ... maior a dispersão ...

·         ... menos eficiente é a gestão dos indicadores.

A diversidade absurda de indicadores em ambiente hospitalar sempre existiu:

·         De produção, de produtividade, de custos, de eventos adversos ...

·         ... das unidades de internação, do centro cirúrgico, da UTI, dos SADTs, das unidades de zeladoria ...

·         Quem é da minha faixa etária sabe que no passado gostaríamos de ter uma infinidade de indicadores mas não conseguíamos calcular com os recursos tecnológicos que tínhamos ... era se como víssemos o céu de uma pequena janela;

·         Mas faz tempo que isso mudou ... os sistemas de informação evoluíram e passaram a exibir milhares e milhares de indicadores instantaneamente. Passamos a ver o céu de um observatório espacial !

Então passou a ser mais do que necessário:

·         Formar grupos especializados, envolvendo gestores que estão comprometidos com o que o indicador pode sinalizar;

·         Priorizar a análise de indicadores que estão com variações significativas ... não todos sempre ... os que estiverem, como o próprio nome diz, indicando alguma coisa que necessita ou vale a pena ser avaliado;

·         E priorizar a análise de indicadores que, embora não estejam com variação significativa, estão com tendência diferente da esperada ... pior do que ruim, é algo que está sempre piorando e vai continuar piorando, não é verdade ?

Os demais indicadores, que continuem sendo calculados, essencialmente automaticamente, mas não devem entrar na pauta das reuniões sempre, sob o risco de termos presentes pessoas “observado a beleza da Lua e não os asteroides” !

O projeto que estou tendo a honra e oportunidade de participar na Unimed do Brasil, que foi pauta nesse encontro da Unimed FESP está sendo conduzido dessa forma, e por isso me motivo a estar nele:

·         Formação de grupos especializados nos hospitais da rede própria para discutir indicadores que interessam para as pessoas que estão nos grupos;

·         E, de forma transversal, mesclando indicadores assistenciais e de custos porque, como o próprio nome diz: são indicadores ... sinalizadores de algo que está no caminho certo ou necessita de alguma ação dos gestores para corrigir o caminho;

·         E quem corrige o caminho são os gestores que têm alguma coisa a ver com os indicadores ...

·         ... demais gestores podem até se interessar, mas se não têm responsabilidade ou envolvimento em algo que possa modificar o indicador, empenham tempo na participação de algo que é simplesmente contemplar a beleza dos anéis de Saturno – nada a ver  com a preocupação fundamental dele que é a interrupção da programação da TV a cabo por conta de ondas solares!

 

 

Mas o que particularmente considero como “um dos pontos altos” do encontro foi um momento em que um gestor estava apresentando um indicador e surgiu uma dúvida/questionamento de outro em relação à base de cálculo:

·         O gestor apresentava um indicador de índice de queda por paciente-dia, demonstrando que o indicador estava bom em relação a algumas referências, e ruim em relação a outras;

·         E outro gestor perguntou como estava sendo calculada a quantidade de pacientes-dia;

·         Ao afirmar que era a contagem do censo à meia-noite, algo absolutamente comum nas estatísticas da enfermagem, o outro questionou sobre os pacientes que “não viravam a noite no hospital” ... os que internavam de manhã e tinham alta durante o dia.

É claro que essa discussão leva a vários caminhos, que não vale a pena em um texto curto como este ficar detalhando:

·         Não existia certo ou errado em algo que um ou outro estava comentando;

·         O que vale a pena comentar, que tem tudo a ver com o foco do texto, e que é importantíssimo em ambiente hospitalar, além de envolver na discussão de indicadores pessoas que conheçam ambiente hospitalar e tenham a ver com o assunto, como é perigoso comparar indicadores hospitalares sem tomar precauções fundamentais que permitam que a comparação possa ser feita.

Calcular o indicador tendo no denominador a quantidade total somando pacientes-dia hospitalares e de “day hospital” tem a sua utilidade:

·         Calcular separadamente, considerando no numerados os eventos relacionados à internação e ao hospital-dia, ajustando o denominador para os pacientes-dia correspondentes, tem a sua utilidade;

·         Utilizar um ou outro depende do gestor estar observando o céu a busca de supernovas, ou de buracos negros, ou de anéis de saturno ... cada gestor pode utilizar o numerador e o denominador mais adequado para a sua necessidade !

·         Mas, se o grupo de gestores está com o mesmo objetivo de avaliar as ondas solares, obrigatoriamente devem usar o mesmo critério de cálculo no numerador e no denominador !

Então, na apresentação original do gestor que estava classificando seu indicador como bom ou ruim em relação aos indicadores que pesquisou para avaliá-los, a pergunta “que vale um milhão de dólares” é :

·         Será que aqueles indicadores que foram pegos como referência para comparação estão com “a mesmíssima base” no cálculo em relação ao numerador e ao denominador ?

·         Será que os hospitais que forneceram os indicadores para serem tabulados e serem apresentados como referência são asteroides, luas, planetas, estrelas, galáxias, constelações ?

·         Será mesmo que uma instituição que coleta dados de hospitais para divulgar indicadores está tendo o mesmo cuidado que a Unimed está tendo de equalizar o conhecimento de todos sobre os indicadores, padronizando a forma de coleta e cálculo, e promovendo a integração entre os envolvidos para se certificar que estão todos com o mesmo alinhamento sobre o indicador ... será que todos estão falando de buraco negro com o mesmo conhecimento sobre o que ele significa e como deve ser observado ? ... duvido !

A chance de um hospital ser comparável com outro em determinados indicadores é baixíssima se toda a precaução sobre discernimento, capacitação e padronização não estiver presente ... acredite em quem “tem alguns anos de janela” ... tem hospital que a única coisa que tem de parecido com outro é o “nome hospital”:

·         Não somente são diferentes hospitais psiquiátricos em que por exemplo existe prescrição para o paciente a cada 2 ou 3 dias, em relação a um cirúrgico que tem 2, 3 prescrições por dia ...

·         Mesmo entre cirúrgicos ... não basta classificar os de 50, 100, 200 leitos sem separar o que faz basicamente cesariana do que faz cirurgia valvar na rotina !

·         Não é adequado comparar indicadores entre hospitais que não têm nada a ver um com o outro, e achar que “está bem na fita” e pode não estar ... ou vice-versa: se culpar achando que é o pior dos hospitais, e na verdade é o melhor !

Uma das grandes motivações em estar nesse projeto no Sistema Unimed é a chance de auxiliar no desenvolvimento de comparações entre hospitais que tem um mínimo de similaridade – todos de rede própria:

·         Têm diferenças regionais sim ... têm diferenças de porte sim ... têm diferenças de complexidade é claro ...

·         Mas a chance de comparar adequadamente níveis de radiação em um sistema solar, como o Sistema Unimed, é muito maior do que comparar níveis de radiação em toda a galáxia, que tem estrelas e sistemas solares completamente diferentes do nosso ... se é que me entende;

·         No Sistema Unimed dá para trabalhar filtros de seleção mais simples, e propiciar aos gestores de hospitais de recursos próprios do Sistema a possibilidade de comparação adequada ... permitindo ao gestor uma avaliação mais real da sua situação de estar “bem ou mal na fita”.

A motivação de estar no projeto é a certeza de que o projeto é uma oportunidade fantástica para os hospitais que estão fazendo parte dele !!

Necessitando informações ou estudos macroeconômicos sobre o mercado da saúde suplementar consulte a página Geografia Econômica da Saúde no Brasil     www.gesb.net.br    , ou     contato@escepti.com.br

Necessitando capacitação no tema, consulte cursos da página   www.cpgs.net.br    , ou   contato@escepti.com.br

Necessitando de assessoria especializada em

·         Gestão de Indicadores Hospitalares, consulte a página  www.escepti.com.br/Ass/IND   , ou   contato@escepti.com.br

·         Planejamento Estratégico para Empresas na Área da Saúde, incluindo estudos macroeconômicos, análise de enquadramento e reposicionamento da instituição no mercado, consulte a página  www.escepti.com.br/Ass/PLA   , ou   contato@escepti.com.br

·         Gestão de Processos, incluindo melhores práticas de LEAN para redução de custos, e certificação da qualidade, consulte a página  www.escepti.com.br/Ass/PRO   , ou   contato@escepti.com.br

 

Sobre o autor Enio Jorge Salu

CEO da Escepti Consultoria e Treinamento

Histórico Acadêmico

·  Formado em Tecnologia da Informação pela UNESP – Universidade do Estado de São Paulo

·  Pós-graduação em Administração de Serviços de Saúde pela USP – Universidade de São Paulo

·  Especializações em Administração Hospitalar, Epidemiologia Hospitalar e Economia e Custos em Saúde pela FGV – Fundação Getúlio Vargas

·  Professor em Turmas de Pós-graduação na Faculdade Albert Einstein, Fundação Getúlio Vargas, HCX da Faculdade de Medicina da USP, FIA/USP, FUNDACE-FUNPEC/USP, Centro Universitário São Camilo, SENAC, CEEN/PUC-GO e Impacta

Histórico Profissional

·  CIO do Hospital Sírio Libanês, Diretor Comercial e de Saúde Suplementar do InCor / Fundação Zerbini, Gestor da Saúde Suplementar da Fundação Faculdade de Medicina / Complexo HCFMUSP, e Superintendente da Furukawa Industrial

·  Pesquisador Associado e Membro do Comitê Assessor do GVSaúde – Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da EAESP da Fundação Getúlio Vargas

·  Membro Efetivo da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares

·  Diretor no Conselho de Administração da ASSESPRO-SP – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação

·  Membro do Comitê Assessor do CATI (Congresso Anual de Tecnologia da Informação) do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas

·  Associado NCMA – National Contract Management Association

·  Associado SBIS – Sociedade Brasileira de Informática em Saúde

·  Autor dos livros Administração Hospitalar no Brasil – Editora Manole, Gestão Comercial Hospitalar – Editora Atheneu / FGV, Gestão do Faturamento e Auditoria de Contas Hospitalares – Editora Atheneu / Fundação Getúlio Vargas, e mais 9 livros de gestão em saúde de edição própria disponíveis para download em páginas da Internet

·  Gerente de mais de 200 projetos em operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, centros de diagnósticos, secretarias de saúde e empresas fornecedoras de produtos e serviços para a área da saúde e outros segmentos de mercado